Levante! Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Unicamp

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O primeiro grande erro do “Vamos à Luta” no STU

No fim da última semana escrevi um texto sobre a paralisação dos trabalhadores terceirizados no Restaurante Universitário e as condições de trabalho desumanas a que estão submetidos – e como a responsabilidade pela situação é da reitoria e do governo. Agora é importante discutir a resposta que os trabalhadores devem dar para reverter essa situação.

A nova direção do STU, o Vamos a Luta (VAL), foi eleita pela vontade dos trabalhadores de mudar o sindicato. O programa do VAL apontava claramente para a luta e para a superação do imobilismo da gestão Alerta. Os trabalhadores da Unicamp votaram no VAL porque querem uma direção de luta para defender seus direitos e conquistar avanços na carreira, no salário, nas condições de trabalho.

Se o VAL quer ser essa direção de luta, deve cumprir o programa que o elegeu. Só que, infelizmente, nessa primeira luta que o STU enfrenta com sua nova diretoria, a resposta do VAL é igual à da antiga gestão – e está conduzindo os trabalhadores à derrota.

STU: de cara nova, mas de alma velha (muito velha)

À primeira vista, as coisas pareciam bastante diferentes. O STU participou da luta dos terceirizados. Esteve presente, divulgou no boletim e se colocou do lado dos trabalhadores em luta e como seu representante nas negociações com a reitoria.

Mas não adianta parecer diferente, é preciso ter uma política diferente. E isso o “Vamos à Luta” não teve. Em vez de fortalecer a luta dos terceirizados, ele privilegiou o diálogo com a reitoria e desmobilizou os trabalhadores, que voltaram a trabalhar.

A postura do sindicato já estava clara no boletim de sexta-feira (23/09). Ele dizia: “o STU entende que a solução para esse problema deve se dar no constante diálogo e está aberto para a continuidade das conversas”. Estranho. Uma diretoria que se elegeu prometendo mobilizar os trabalhadores para a luta de rua e contra a terceirização diz para toda a categoria que a solução para terceirização é: o diálogo com a reitoria... Mas é exatamente a reitoria a responsável por essa situação! 

Lutar contra a terceirização em vez de iludir os trabalhadores!

A terceirização existe para submeter os trabalhadores a uma situação de trabalho degradante, mantendo-os sem direitos e com baixos salários. O que está acontecendo no restaurante não é um acidente, mas é o objetivo da reitoria com o processo de terceirização.  Não é o diálogo com a reitoria que vai resolver o problema dos trabalhadores, mas a luta contra esse projeto! O VAL se elegeu dizendo isso, mas na prática está fazendo o contrário.

E o pior é que o boletim do STU de segunda-feira (26/09) usa a mentira para esconder a política das lideranças do VAL. Ele diz que “Com muito esforço do STU, a prefeitura do campus cedeu e agendou uma reunião para hoje, às 8h30”. Mas a realidade é outra. Na quinta-feira, dia da paralisação, houve uma reunião para negociar as pautas dos terceirizados e os representantes da reitoria foram claros em sua ameaça: só vai acontecer negociação se os trabalhadores voltarem ao trabalho.

Essa é a ameaça típica contra as greves e mobilizações. É uma chantagem com um único objetivo: desmobilizar a luta e desorganizar os trabalhadores. E o STU/VAL caiu na chantagem. Aceitou a volta ao trabalho para sentar e negociar com os representantes da reitoria. Isso sem conquistar nenhum compromisso de que as principais reivindicações seriam atendidas! Ou seja, quem cedeu foi o STU, e não a reitoria.

E, dessa forma, os trabalhadores terceirizados foram desarmados, porque o que chamou a atenção da Universidade para os seus problemas foi a organização e a paralisação desses trabalhadores. Voltando ao trabalho eles perdem a arma que tinham para pressionar a reitoria a atender suas reivindicações.

Luta contra a reitoria ou diálogo com ela?

Esse tipo de prática é característica conhecida do sindicalismo de negociação, do sindicalismo de escritório. O VAL não se elegeu para isso. Os trabalhadores não votaram nele para que o STU continuasse igual era na gestão do Alerta.

Em 2006, em um caso exemplar, os trabalhadores da área da saúde fizeram uma grande greve em defesa da jornada de 30 horas. O STU/Alerta fez coisa semelhante ao que o STU/VAL está fazendo: desmontou a greve para poder negociar com a reitoria. O resultado: os trabalhadores perderam sua arma, as negociações não avançaram e os trabalhadores da área da saúde foram derrotados.

Repetindo essa história, a postura do STU/VAL vai levar a luta a um beco sem saída. É possível que a reitoria aceite algumas das reivindicações. É sua obrigação manter a universidade funcionando e, para isso, manter os equipamentos em ordem (e, assim, a máquina de lavar bandejas). É possível que os materiais de segurança sejam fornecidos, porque não interessa à Universidade essa propaganda negativa. Mas, tão logo a comunidade universitária deixe de olhar para a situação desses trabalhadores terceirizados, a situação vai voltar ao que era antes.

Ou seja, a política de negociação do VAL além de não fazer avançar a luta pelas principais reivindicações dos trabalhadores terceirizados, não vai garantir avanços permanentes nas condições de trabalho dos terceirizados.

É preciso mudar a lógica e ir para a luta!

Não desconhecemos as dificuldades da luta dos terceirizados. Mas entendemos que a única solução para a questão é a luta intransigente contra a terceirização e a incorporação dos trabalhadores terceirizados aos quadros da Universidade.

E para alcançar isso é necessário tornar cada luta isolada dos trabalhadores numa luta contra o projeto da reitoria e do governo. A situação que apareceu no restaurante acontece em toda a Universidade. E não é o diálogo com os responsáveis por ela (e que a conhecem) o que vai resolver. Somente a mobilização dos trabalhadores, concursados ou não, em defesa das condições de trabalho para os terceirizados e contra a terceirização pode solucionar o problema.

Ainda é tempo para que VAL mude sua postura. Mas precisa mudar agora! Se o STU/VAL continuar seguindo a cartilha de suas lideranças vai acabar da mesma forma como terminou a gestão do Alerta: afastado dos trabalhadores e freiando nossa luta. A política do sindicato não pode continuar como está: desmobilizar e desorganizar a luta dos terceirizados é um crime do STU e nos levará à derrota.

Guilherme, DGA/Transportes, do coletivo Levante.


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Fiz uma pequena correção de data: onde se lia "na sexta-feira houve uma reunião", alterei para "Na quinta-feira, dia da paralisação, "

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Restaurante paralisado, terceirização e PLANES

Carta aberta sobre a paralisação do Resturante Universitário

Olá,

Ontem (22/09) o Restaurante Universitário (“bandejão”) não funcionou. Os trabalhadores terceirizados da empresa EB Alimentação decidiram paralisar seu trabalho em razão das péssimas condições de trabalho a que estão submetidos na UNICAMP. Durante toda essa semana, por exemplo, eles tiveram de lavar todas as bandejas e talheres de forma manual. Isso significa, por dia, mais de 5.000 bandejas.

Conversando com esses trabalhadores percebemos melhor a situação precária de suas condições de trabalho - e o relato dos problemas poderia encher várias páginas: desde queimaduras por produtos químicos, passando pelo assédio das chefias, pelo ambiente de trabalho inadequado e por máquinas que, literalmente, estão caindo aos pedaços e que a UNICAMP não conserta. Tudo isso se soma à falta de funcionários necessários para o trabalho (o número de  usuários do restaurante é cada vez maior), os salários miseráveis e a falta de direitos trabalhistas básicos.

Sinceramente, quando visitei o local em que trabalham saí estarrecido. Ambiente mofado e pequeno, máquinas enferrujadas e presas com gambiarras e arames, rede elétrica exposta e praticamente desencapada, vazamentos e poças d’água no chão. O cenário é desolador e prepara uma tragédia. Um pequeno acidente e a combinação desses elementos pode levar, facilmente, à perda de vidas.

Essa é a realidade de um grande número de pessoas da Unicamp. Pessoas como eu e você, pessoas que têm famílias e sonhos, e que têm direito a condições de trabalho dignas, direito a trabalhar com segurança e receber um salário decente para sustentar sua família.

Esse é o resultado do processo de terceirização de que a reitoria se orgulha: seres humanos submetidos a condições de trabalho e vida completamente desumanos. Tudo isso garantindo lucro para as empresas terceirizadas.

Nós, trabalhadores concursados, também sentimos na pele a forma como a reitoria age. Nosso trabalho não é valorizado, sofremos assédio das chefias e da reitoria, não temos carreira decente, nosso piso salarial é o menor entre as universidades estaduais e ainda temos de lutar contra a reitoria pelo nosso direito de greve (a reitoria está processando as lideranças da greve de 2010, que estão sendo intimadas a depor na delegacia). E agora, ela ainda quer nos enganar com esses prêmios PAEPE que uma meia dúzia vai receber, dizendo que isso é valorização do funcionário.

O que precisamos entender é que todos esses ataques fazem parte do mesmo projeto, da reitoria e do governo, e que precisamos nos unir para enfrentá-los. Somos todos trabalhadores, e a terceirização afeta a todos nós.

A máscara da terceirização está caindo. Há pouco tempo ficamos sem segurança porque a empresa contratada pela reitoria faliu e não pagou seus funcionários. Agora essa situação no restaurante mostra as condições insalubres a que estão submetidos os trabalhadores dessa Universidade - e a comunidade acadêmica vai ficar sem refeição porque a reitoria não investe na manutenção das máquinas do restaurante.

Essas verdades nós não ouvimos no PLANES. Esse é o resultado do projeto que nossas ilustríssimas autoridades que falam nessas reuniões não mostram. Essa é a realidade por trás daqueles números que elas apresentam com tanto orgulho. Esse é o projeto dos gestores da Universidade, dos reitores e do governo.

E enquanto nós, trabalhadores desta universidade, não entendermos que só nós podemos mudar essa situação e que os ataques contra os terceirizados também são ataques contra nós, concursados, e que todos somos trabalhadores e que temos de nos unir, os reitores e pró-reitores vão continuar festejando e propagandeando esses números que escondem a superexploração, a miséria e a morte de trabalhadores como nós.


Guilherme, DGA/Transporte, do coletivo LEVANTE.

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Abaixo segue a pauta de reivindicação dos trabalhadores do restaurante que estão paralisados:

Retorno imediato do Cláudio ao RU (trabalhador que fez a denúncia da situação e foi transferido).
Aquisição em caráter de urgência de uma nova máquina para lavar bandejas.
Fim dos descontos nos dias de férias dos trabalhadores da EB Alimentação relativos ao recesso de final de ano.
Reposição de equipamentos, materiais de consumo e ferramentas para manutenção de máquinas do RU. Em especial, peças ligadas diretamente à segurança dos trabalhadores.
Contratação de novos funcionários. Contra a obrigação dos trabalhadores exercerem funções além das que estabelecem seu contrato.
Reposição de equipamentos de proteção individual e higiene, tais como botas, sapatos, uniformes, etc.
Fim do assédio moral das chefias, inclusive humilhação pública de trabalhadores.
Conserto dos elevadores do RA e RU, que estando danificados submetem os trabalhadores a condições de extrema periculosidade e insalubridade.
Conserto do ar condicionado do RU.
Conserto das máquinas de suco e chá do RU, que apresentam problemas de resfriamento e manutenção.
Direito de atendimento dos funcionários terceirizados no CECOM.
Construção de uma câmara fria para depósito de restos de comida, evitando mal cheiro e proliferação de pragas no local.
Reforma da sala de apoio da caldeira, que não possui saída de emergência e submete os trabalhadores a condições extremas de calor.
Conserto do equipamento de abastecimento da caldeira, que hoje está sendo feito de forma manual.
Mudança de função das funcionárias que trabalham na copinha, uma vez que estão submetidas a um trabalho muito pesado.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Programa e princípios de funcionamento do Levante!

Programa e princípios de funcionamento do Levante!

Objetivos do coletivo
· O objetivo do grupo é a mobilização permanente dos trabalhadores da Unicamp na defesa direta de seus direitos e da classe trabalhadora.

Participação
· A participação no coletivo é livre a qualquer trabalhador da Unicamp, concursado ou terceirizado, desde que haja acordo e respeito aos objetivos, métodos e princípios programáticos.
· A posição deliberada no grupo não centraliza seus membros, que podem expressar suas diferenças livremente. Estas posições, contudo, são expressão de suas posições individuais e não do grupo como um todo, o que deve ficar claro.

Métodos de ação
· Nosso método prioritário é a luta direta da classe trabalhadora, através da atuação em greves e ações de combate dos trabalhadores.
· O Levante priorizará a organização dos trabalhadores desde a base, nos seus locais de trabalho, com o objetivo de mobilizar e conscientizar os trabalhadores.
· Combateremos toda forma de burocratização e afastamento em relação aos trabalhadores.
· O Levante deverá usar todas suas campanhas e ações para reconstruir a consciência de classe nos trabalhadores, combatendo ideologicamente o individualismo e o corporativismo.
· Para atingir os objetivos do grupo, consideramos necessária a disputa política e programática nos diversos campos e esferas possíveis, sejam os da luta sindical ou institucional. Contudo, a atuação em qualquer dessas esferas não deve subordinar a luta direta dos trabalhadores. Ao contrário, utilizaremos as diferentes formas de disputa política na Universidade para fortalecer as lutas e impulsioná-las, denunciando, sempre que for o caso, o caráter de classe ou institucional do campo de luta.
· É princípio do coletivo sua autonomia em relação a partidos e sua independência organizativa e financeira.

Eixos políticos e programáticos
· Oposição à reitoria da Unicamp e aos governos que atacam os trabalhadores (Dilma e Alckmin).
· Luta contra as reformas neoliberais e a retirada de direitos.
· Luta pela redução da jornada de trabalho para 36 horas (30 horas na área da saúde).
· Luta pela unificação das lutas e isonomia de direitos entre os trabalhadores das Universidades Estaduais Paulistas. Construção e participação de fóruns de debate político sobre os rumos do Fórum das Seis e da FASUBRA, apontando perspectivas políticas para o fortalecimento das lutas da classe trabalhadora nas Universidades e das entidades sindicais.
· Luta pelo piso salarial conforme valor mínimo do salário definido pelo Dieese.
· Luta pelo aumento de recursos para a educação e do repasse do ICMS às Universidades públicas.
· Unidade na luta com os estudantes e professores das Universidades.
· Luta em defesa do serviço público e do regime jurídico único.
· Luta pela unificação das centrais sindicais e populares existentes em uma única central, combativa e independente dos governos. Nesse sentido, participar ativamente da construção da CSP-Conlutas, alternativa de luta que, no momento, melhor acena para esta unificação – disputar os fóruns e decisões dessa central para o projeto da unificação e para outras posições que venham a ser discutidas no coletivo.
· Solidariedade ativa à luta de todos os trabalhadores e movimentos sociais.
· Luta contra a terceirização e pela incorporação dos trabalhadores terceirizados.
· Luta pelo fim da Funcamp e das fundações.
· Luta contra as opressões: desenvolver campanhas permanentes na categoria.
· Pelo direito de organização e luta dos trabalhadores: em defesa do direito de greve.
· Luta contra a criminalização dos movimentos sociais.
· Luta contra a autarquização da Área da Saúde e HC.
· Luta contra a estrutura de poder na Universidade: democratização dos fóruns e paridade.
· Luta intransigente contra a estrutura sindical oficial, que atrela os sindicatos ao Estado e os torna dependentes dele. Luta contra o imposto sindical.

Posicionamento em relação ao STU e a outros grupos na Unicamp
· Exigir da atual diretoria do STU, Vamos à Luta, a realização integral do programa pelo qual foi eleita, denunciando e combatendo qualquer hesitação dela na defesa do direito dos trabalhadores.
· Lutar em unidade com outras forças e coletivos da universidade pelos direitos dos trabalhadores, mantendo a autonomia de organização e deliberação do coletivo e enfrentando essas mesmas forças sempre que não se colocarem do lado dos trabalhadores.
· Lutar pelo fortalecimento do STU como instrumento combativo e democrático para as lutas da classe trabalhadora. Para isso, participaremos de e/ou realizaremos campanhas de filiação sindical. O STU deve ser uma escola de luta para a classe trabalhadora.
· Lutar em defesa da proporcionalidade, do fortalecimento dos CRs, do rodízio de liberados, e implantação de todas as formas democráticas que aumentem a participação dos trabalhadores para a construção da entidade e das lutas.

Funcionamento interno e financiamento
· Arrecadação recursos financeiros para as atividades e materiais do Levante através de cotizações voluntárias dos membros e campanhas financeiras diversas.
· Consideramos as diferenças nas posições políticas algo bastante saudável e necessário à vida do coletivo. Sendo assim, as discussões e decisões devem ser democráticas e buscar um consenso para a ação conjunta. Quando o consenso não for possível, as decisões serão tomadas por maioria simples e, como parte dessa deliberação, caberá também a decisão sobre a exposição ou não das posições divergentes dentro do coletivo.
· Realização de reuniões periódicas para a discussão e deliberação sobre as políticas do Levante.

Comunicação
· Formar uma comissão de comunicação para gerenciar as listas de discussão e o blog do coletivo. Não é função dessa comissão a moderação de comentários ou artigos, apenas o gerenciamento de senhas, inclusão/exclusão de e-mails, divulgação dos materiais do Levante.
· O Levante terá duas listas de discussão. Uma lista aberta a qualquer interessado, outra lista apenas para os participantes efetivos do grupo. No que toca a discussões internas ou organizativas, os membros deverão utilizar a lista restrita aos participantes.
· Sob pena de exclusão das listas de discussão, não serão aceitos comentários preconceituosos ou com ataques pessoais. Além disso, para evitar spams e falsificações, todas as mensagens deverão ser assinadas ou ter sua fonte divulgada.
· Garantir um espaço no blog em que os ativistas possam debater suas opiniões políticas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

BALANÇO DAS ELEIÇÕES


A vitória da chapa de oposição mostra que temos um grande espaço de construção no movimento, pois reflete que a categoria está indignada com o imobilismo da gestão anterior que frustou as mobilizações dos últimos 4 anos.

É uma vitória do movimento porque a chapa eleita traz as reivindicações do próprio movimento e abre uma possibilidade de mobilização muito grande. Reflete-se também o fato de haver um descontentamento com as políticas do PT e do PCdoB com relação ao Governo Hélio na cidade de Campinas e que a categoria está descontente com o modelo sindical da CUT/CTB de atrelamento e aliança governista e de um sindicato de negociação.

Demonstra que a categoria tem disposição para lutar e desejam um sindicato combativo, ampliando as possibilidades de mobilização.

Entretanto, a chapa eleita sai fortalecida já que existe uma grande expectativa. É preciso ter cuidado e sensibilidade para não cairmos no sectarismo nem sermos colocados no mesmo ponto que o PT/PCdoB somente por sermos oposição. Para tanto, precisamos avançar no debate político com a categoria, não deixar o sindicato restringir-se ao partidarismo como norte às discussões.

Nosso papel será manter a luta pela construção de um sindicalismo de luta e combativo, por isso deveremos fazer muita campanha e propaganda para a retomada dos eixos da campanha e das discussões congressuais.

Como as eleições refletiram a insatisfação da categoria com relação ao Alerta e ao PT, significa que a categoria via que era a oposição que puxava as lutas.Todas essas reflexões, análises e balanços fazem com que nós repensemos a nossa tarefa e até mesmo o nosso encontro para o dia 07 de setembro.

Frente a todos os pontos colocados, precisamos conhecer o calendário, as datas para pautarmos a nossa atuação nas tarefas para o próximo período


TAREFAS DO MOVIMENTO E COBRANÇA PARA A NOVA GESTÃO

Algumas das questões que teremos de tratar como tarefas e cobrança da nova gestão são:
 
1). Os ingressantes: há pouca adesão de ingressantes filiados. Precisamos fazer uma campanha de filiação e continuar denunciando que o estágio probatório é igual ao assédio moral
 
2). Mulheres: precisamos aproveitar que existe o espaço sobre a discussão da violência contra a mulher e trabalhar materiais específicos que discutam o assunto. Trabalhar uma campanha de filiação específica para o tema, convidando as mulheres para participarem mais ativamente das atividades sindicais, que, inclusive, se mostra como um espaço predominantemente masculino.
 
3) Funcamp: precisamos avançar nas discussões sobre a terceirização e devemos trabalhar um campanha de filiação específica também para os trabalhadores da Funcamp
 
4) Além das campanhas específicas de filiação, precisamos incorporar uma campanha de filiação ao STU
 
5) Unidades fora do campus: precisamos pensar e discutir como incorporar os trabalhadores que estão fora do campus e como vencer as barreiras de distância.

6). Preparar o debate sobre central sindical porque a chapa eleita já estava dizendo que a nova central será a Intersindical e precisamos debater com toda a categoria.
 
7). Proporcionalidade: fazer muita propaganda e ver o que a chapa vai dizer a respeito. Não deixar o assunto "morrer" porque agora que eles se elegeram não precisa mais.
 
8). Reestruturação dos CRs e nova composição já para os conselhos de unidade
 
9). Fim do imposto sindical e devolução imediata da contribuição paga de todos os trabalhadores, filiados ou não

10). Retomar a questão da plenária estadual das universidades e estadualização das nossas lutas junto com o Sintusp e Sintunesp
 
11) Retomada da campanha salarial no segundo semestre: é pra lutar ou é para desmobilizar o foco dos trabalhadores e esvaziar o congresso? Devemos usar a campanha salarial para aproveitar a disposição dos trabalhadores e discutir estrutura sindical e o congresso.