Carta aberta sobre a paralisação do Resturante Universitário
Olá,
Ontem (22/09) o Restaurante Universitário (“bandejão”) não funcionou. Os trabalhadores terceirizados da empresa EB Alimentação decidiram paralisar seu trabalho em razão das péssimas condições de trabalho a que estão submetidos na UNICAMP. Durante toda essa semana, por exemplo, eles tiveram de lavar todas as bandejas e talheres de forma manual. Isso significa, por dia, mais de 5.000 bandejas.
Conversando com esses trabalhadores percebemos melhor a situação precária de suas condições de trabalho - e o relato dos problemas poderia encher várias páginas: desde queimaduras por produtos químicos, passando pelo assédio das chefias, pelo ambiente de trabalho inadequado e por máquinas que, literalmente, estão caindo aos pedaços e que a UNICAMP não conserta. Tudo isso se soma à falta de funcionários necessários para o trabalho (o número de usuários do restaurante é cada vez maior), os salários miseráveis e a falta de direitos trabalhistas básicos.
Sinceramente, quando visitei o local em que trabalham saí estarrecido. Ambiente mofado e pequeno, máquinas enferrujadas e presas com gambiarras e arames, rede elétrica exposta e praticamente desencapada, vazamentos e poças d’água no chão. O cenário é desolador e prepara uma tragédia. Um pequeno acidente e a combinação desses elementos pode levar, facilmente, à perda de vidas.
Essa é a realidade de um grande número de pessoas da Unicamp. Pessoas como eu e você, pessoas que têm famílias e sonhos, e que têm direito a condições de trabalho dignas, direito a trabalhar com segurança e receber um salário decente para sustentar sua família.
Esse é o resultado do processo de terceirização de que a reitoria se orgulha: seres humanos submetidos a condições de trabalho e vida completamente desumanos. Tudo isso garantindo lucro para as empresas terceirizadas.
Nós, trabalhadores concursados, também sentimos na pele a forma como a reitoria age. Nosso trabalho não é valorizado, sofremos assédio das chefias e da reitoria, não temos carreira decente, nosso piso salarial é o menor entre as universidades estaduais e ainda temos de lutar contra a reitoria pelo nosso direito de greve (a reitoria está processando as lideranças da greve de 2010, que estão sendo intimadas a depor na delegacia). E agora, ela ainda quer nos enganar com esses prêmios PAEPE que uma meia dúzia vai receber, dizendo que isso é valorização do funcionário.
O que precisamos entender é que todos esses ataques fazem parte do mesmo projeto, da reitoria e do governo, e que precisamos nos unir para enfrentá-los. Somos todos trabalhadores, e a terceirização afeta a todos nós.
A máscara da terceirização está caindo. Há pouco tempo ficamos sem segurança porque a empresa contratada pela reitoria faliu e não pagou seus funcionários. Agora essa situação no restaurante mostra as condições insalubres a que estão submetidos os trabalhadores dessa Universidade - e a comunidade acadêmica vai ficar sem refeição porque a reitoria não investe na manutenção das máquinas do restaurante.
Essas verdades nós não ouvimos no PLANES. Esse é o resultado do projeto que nossas ilustríssimas autoridades que falam nessas reuniões não mostram. Essa é a realidade por trás daqueles números que elas apresentam com tanto orgulho. Esse é o projeto dos gestores da Universidade, dos reitores e do governo.
E enquanto nós, trabalhadores desta universidade, não entendermos que só nós podemos mudar essa situação e que os ataques contra os terceirizados também são ataques contra nós, concursados, e que todos somos trabalhadores e que temos de nos unir, os reitores e pró-reitores vão continuar festejando e propagandeando esses números que escondem a superexploração, a miséria e a morte de trabalhadores como nós.
Guilherme, DGA/Transporte, do coletivo LEVANTE.
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Abaixo segue a pauta de reivindicação dos trabalhadores do restaurante que estão paralisados:
Retorno imediato do Cláudio ao RU (trabalhador que fez a denúncia da situação e foi transferido).
Aquisição em caráter de urgência de uma nova máquina para lavar bandejas.
Fim dos descontos nos dias de férias dos trabalhadores da EB Alimentação relativos ao recesso de final de ano.
Reposição de equipamentos, materiais de consumo e ferramentas para manutenção de máquinas do RU. Em especial, peças ligadas diretamente à segurança dos trabalhadores.
Contratação de novos funcionários. Contra a obrigação dos trabalhadores exercerem funções além das que estabelecem seu contrato.
Reposição de equipamentos de proteção individual e higiene, tais como botas, sapatos, uniformes, etc.
Fim do assédio moral das chefias, inclusive humilhação pública de trabalhadores.
Conserto dos elevadores do RA e RU, que estando danificados submetem os trabalhadores a condições de extrema periculosidade e insalubridade.
Conserto do ar condicionado do RU.
Conserto das máquinas de suco e chá do RU, que apresentam problemas de resfriamento e manutenção.
Direito de atendimento dos funcionários terceirizados no CECOM.
Construção de uma câmara fria para depósito de restos de comida, evitando mal cheiro e proliferação de pragas no local.
Reforma da sala de apoio da caldeira, que não possui saída de emergência e submete os trabalhadores a condições extremas de calor.
Conserto do equipamento de abastecimento da caldeira, que hoje está sendo feito de forma manual.
Mudança de função das funcionárias que trabalham na copinha, uma vez que estão submetidas a um trabalho muito pesado.
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