Levante! Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Unicamp

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!


Partindo da perspectiva de avançar na organização de base, "O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!" é a tese do Coletivo Levante! CSP-Conlutas para o Congresso do STU.
Tendo como princípios a participação plena da base na elaboração política do STU, a renovação da estrutura sindical e a defesa da liberdade de expressão e da democracia nas instâncias da Unicamp, chamamos a base da categoria a ser protagonista ativa das deliberações e das lutas na Universidade, com reais condições para sê-lo. Seguimos esses mesmos princípios na elaboração desta tese, que foi construída coletivamente.
A construção coletiva se deu através de elaboração política, escrita ou em forma de debates, com diversos ativistas, todos militantes de base. Esta experiência mostra que é possível que a nossa organização sindical e institucional coloque a base como o seu centro político, combatendo a burocracia, a criminalização dos movimentos sociais e exigindo isonomia de salários e de direitos na Unicamp. O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!

Veja a tese completa:
Orientação Sexual


Assinam a presente tese:
Adriana Stella – IMECC
Álvaro Bianchi – IFCH/AEL
Daniel Roseno da Silveira – IA
Fernando Barbosa – IMECC
Geraldo Martins – IMECC
Geruza Ferreira de Lima Tanaka – HC-aposentada
Lisete Rodrigues da Costa – HC
Lucimeire O. Silva da Rocha – IFGW
Marcelo Leonardo Souza de Oliveira – IQ
Marcelo Rocco – IFCH
Maria Dutra de Lima - IFCH/AEL
Maria Fabiana Muller – IMECC
Taigor Martino – FE, ex-IA
Zago – IMECC-aposentado

Conjuntura nacional e internacional

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!


A crise econômica mundial iniciou em 2008 e já é maior que a de 1929, abalando todos os mercados e os governos imperialistas dos EUA e da Europa.
A crise começou nos EUA, com a explosão da “bolha de crescimento artificial”: a especulação financeira era maior do que a produção industrial. Enquanto a produção mundial, em 2006, somava US$ 47 trilhões, a especulação movimentava US$ 170 trilhões, quase 4 vezes mais. A crise gerou desemprego em massa, fome, e a perda de milhares de casas para garantir os lucros dos banqueiros.
Para conter a crise, o governo Obama atacou os trabalhadores: cortou investimentos públicos e doou quantias exorbitantes de dinheiro para os banqueiros. Essa política mostrou que o “primeiro presidente negro” dos EUA não está ao lado dos trabalhadores, mas sim do imperialismo e do grande capital.
Os reflexos da crise se espalharam pelo mundo. Na Europa, a zona do Euro é a mais afetada. Inicia-se uma recessão econômica com possibilidade de quebra de bancos e Estados. Em países como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, a entrada de Euros está diminuindo, o que aumenta as dívidas públicas, e gera altas taxas de juros.
Para preservar o Euro, as burguesias alemã e francesa exigem a submissão desses países às políticas do FMI: corte de verbas para a saúde, moradia, educação e transporte, diminuição salarial, corte de direitos trabalhistas, aumento do tempo de contribuição para a aposentadoria, demissões e terceirizações.
Para defender os lucros dos banqueiros, os governos descarregam a crise nos trabalhadores e na juventude, que reagem lutando em greves gerais e manifestações na Grécia, Portugal e Inglaterra, marcha dos indignados na Espanha e derrotas eleitorais de partidos governistas, como na Alemanha.
O povo também luta no mundo árabe, abrindo uma crise na dominação imperialista americana e européia nessa região, que é estratégica pelas reservas de petróleo. A revolta das massas árabes contra anos de exploração, miséria e desemprego, agravados pela crise econômica mundial, derrubou ditaduras pró-imperialistas, como Mubarak no Egito, e Kadafi na Líbia.
A fim de manter seu domínio na região e deter a ação das massas, o imperialismo americano e europeu apoia governos militares e civis de “transição” no Egito, na Líbia e no Iêmen.
Na América latina, a crise econômica e a dominação imperialista também produzem seus efeitos. No Haiti, sob a falsa bandeira de “pacificar” o país, a ONU e os governos que enviaram tropas militares de ocupação – entre eles o Brasil – apoiam uma vergonhosa agressão imperialista contra o povo negro.
No país, após o terremoto de 2009, os haitianos vivem acampados nas ruas, sem luz, alimento e água potável. Ao mesmo tempo, dirigentes sindicais são demitidos, ativistas são presos, ocorrem estupros e assassinatos, sempre com a participação direta ou conivente das tropas de ocupação, que reprimem os movimentos sociais que lutam contra o desemprego, a fome e a miséria. Essa política colonialista, racista e de dominação econômica e militar sobre o povo haitiano se dá com a cumplicidade do governo Dilma e do governo Obama.
Na Venezuela, Hugo Chávez estabelece com o governo colombiano um pacto comercial cuja moeda de troca é a colaboração militar e a perseguição, a tortura e morte de ativistas dos movimentos sociais de ambos os países. Na Venezuela, ocorrem perseguições a dirigentes camponeses, sindicais e populares, em um processo de ataques contra aqueles que hoje se organizam e protestam no país por empregos, melhores salários, moradia, educação, saúde etc.
No Brasil, a economia ainda não sente com tanta intensidade os efeitos da crise e encerrou 2011 com crescimento de 3,5%, contrariando todas as previsões do governo e demonstrando que já existe uma desaceleração econômica. O Brasil não está imune à crise.
Diante disso, o governo e a patronal preparam profundos ataques aos trabalhadores: corte de R$ 55 bilhões no orçamento federal, o maior de toda a história, com grave redução na educação (R$ 3,1 bilhões) e destinação de 49,15% de todo o orçamento para o pagamento de juros e amortizações aos banqueiros.
A continuidade do modelo da economia brasileira como uma plataforma de produção e exportação de commodities agrícolas para o mundo, e automóveis e eletrodomésticos para a América Latina, aprofunda a vulnerabilidade da economia brasileira aos sobressaltos da crise internacional.
O governo do PT retomou as privatizações, com a entrega dos aeroportos à iniciativa privada e também os Correios e Hospitais Públicos, dentre eles, os Universitários. Tramitam ainda no Congresso Nacional projetos de lei que atacam direitos dos servidores públicos e congelam seus salários. No campo, o novo Código Florestal é um enorme retrocesso na luta ambiental e fortalece o agronegócio.
A falta de políticas para a moradia também são marcas dos governos. A tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro deixou à mostra o desastre político, econômico e social a que estão submetidos os trabalhadores frente ao governo Dilma e ao governo Cabral (RJ). Após um ano, nenhuma casa foi construída na região.
Enquanto isso, para favorecer a especulação imobiliária, o governo Alckmin e a justiça, numa violenta ação policial, desalojaram os moradores do bairro Pinheirinho de São José dos Campos/SP, construído desde 2004, onde viviam 8 mil pessoas, para deixá-las ao relento, o que mereceu um amplo repúdio da sociedade brasileira e da comunidade internacional. 
A desocupação do Pinheirinho não é um caso isolado. A realização de megaeventos, como a Copa e as Olimpíadas, está significando mais ataques aos trabalhadores. Os governos federal, estaduais e municipais estão implementando um plano de contra-reforma urbana.  Os governos e empresários, para favorecer a especulação imobiliária, desencadearam uma campanha de higienização sócio-racial (Favela do Moinho, cracolândia etc.) criminalizando a pobreza.
Assim, a ineficácia do Programa “Minha casa, Minha vida” está demonstrada: existe no país um déficit habitacional de 11 milhões de casas e a necessidade de uma reforma urbana que possa dar casas para os necessitados e melhorar a situação caótica nos bairros populares.
No Brasil, a face repressora do Estado se manifesta na perseguição e criminalização dos movimentos sociais, como ocorrido na prisão arbitrária de manifestantes do ato contra a visita de Obama ao Rio de Janeiro em 2011, na repressão e perseguição na USP, e, mais recentemente, na prisão de líderes e ativista das greves dos PMs e bombeiros dos estados da Bahia e Rio de Janeiro.
Em São Paulo, os governos do PSDB marcaram ao funcionalismo um período de perdas constantes de poder aquisitivo e uma desvalorização da profissão. Como a política do Estado está no bico tucano a pelo menos 16 anos, seus reflexos se traduzem em salários aviltantes, repressão policial aos grevistas, confronto com o movimento estudantil e criminalização dos movimentos sociais.
Em Campinas, o povo trabalhador é vítima dos escândalos de corrupção que o prefeito Hélio (PDT) e seu vice Demétrio Vilagra (PT) cometeram contra a cidade, sucateando os serviços de saúde, as creches e ainda atrasando o 13º salário dos municipais. Os corruptos que roubaram mais de R$ 600 bilhões seguem impunes. A Câmara Municipal, desmoralizada, votou um aumento de 126% para os vereadores, desprezando a opinião da população e legislando em causa própria.
Como se não bastassem todos estes ataques aos trabalhadores de Campinas, vem ainda o GOLPE final: eleições indiretas para Prefeito. É a reedição dos tempos da ditadura, onde 33 picaretas, que só pensam em como aumentar seus salários, vão querer eleger, no lugar do povo, o próximo prefeito, e, para isso, ainda contam com o aval da justiça.

Veja os demais itens da tese:

Universidade

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!


Muito se fala sobre a excelência da Unicamp, no entanto, nada se fala sobre o papel que ela cumpre com mestria: o de se colocar ao lado do grande capital e de sua ganância por novas tecnologias e mercadorias e o de oprimir e explorar os trabalhadores e os estudantes.
Os altos índices de produtividade dos trabalhadores não decorrem de melhores condições de trabalho, e sim da precarização de suas atividades. A Universidade, que deveria produzir conhecimento para a classe trabalhadora, é, na verdade, uma fábrica de diplomas, de artigos, de super-exploração do trabalho, de desvalorização dos servidores, de terceirizações e de alienação estudantil.
A existência de plágio e falsificação de resultados de pesquisa que abalaram as universidades paulistas, de trabalhadores terceirizados que não recebem salários, da alta rotatividade de funcionários por insatisfações com trabalho e salário, aliadas ao estágio probatório punitivo e a uma carreira ineficiente e antidemocrática, são a face perversa dessa precarização.
A reitoria implementa há anos um projeto privatizante que significa a destruição de qualquer resquício de serviço público. No HC, com autarquização, por exemplo, quem puder pagar, terá atendimento diferenciado. Haverá uma fila maior do que já há hoje, para que os trabalhadores pobres possam democraticamente morrer na espera do atendimento.  Na área da saúde, os equipamentos e as pesquisas lá desenvolvidas ao longo dos anos beneficiam as empresas de saúde e os convênios médicos. A Funcamp, que foi criada nos anos 80, já terceirizou vários setores técnicos e operacionais, a grande maioria na área da saúde. Trabalhadores dos restaurantes, vigilância, limpeza, marcenaria e vários motoristas são hoje terceirizados por diversas empresas.
O preço dessa política é elevado: as vozes dissonantes são criminalizadas. A abertura de processo judicial contra 9 servidores que lutaram na greve de 2010, a suspensão por 6 meses de estudantes que lutaram por moradia estudantil, a aplicação de 50 faltas aos trabalhadores grevistas em 2011, o descaso frente às reivindicações dos trabalhadores e às moções das Congregações que os apoiavam nesta greve e a punição, em 2012, de um servidor que ousou discutir a greve, evidenciam a intolerância da Reitoria no trato às diferenças, ao dissenso e à contestação, próprios da vida acadêmica.
Os docentes ligados ao projeto político da Reitoria são beneficiados com tudo que o dinheiro pode comprar, sobrando para os demais docentes, servidores e estudantes as portas fechadas ao diálogo.
A baixa representatividade dos trabalhadores e estudantes nas instâncias decisórias revela um descompasso com os princípios constitucionais, cujas premissas democráticas são as bases das relações institucionais.
O CONSU é antidemocrático: é formado pelo reitor e seu vice, seus 5 pró-reitores por ele indicados; 22 diretores de institutos e faculdades por ele indicados a partir de lista tríplice; seu superintendente do HC e 5 representantes da “comunidade externa”, incluída a Fiesp, representando os patrões. Todos deliberam sem terem sido eleitos. São 35 conselheiros natos, o suficiente para garantir maioria para as propostas da Reitoria.
Os conselheiros eleitos pela comunidade universitária são apenas 22 representantes docentes; 9 discentes; 7 funcionários.
Ao longo dos últimos anos, o CONSU foi reduzido à condição de órgão de homologação das decisões do Reitor. As autoridades acadêmicas substituíram o livre debate e a democracia, pelo monólogo autoritário, bajulação e as magníficas portarias da Reitoria.
No CONSU não existe paridade na representação das categorias e respeito aos princípios democráticas que deveriam nortear suas atividades. O anacronismo revelou-se acentuadamente na última greve: a Reitoria mostrou completo desprezo pelas demandas por piso salarial e vale-alimentação isonômicos com a USP reivindicados pelos funcionários e apoiados pelos estudantes por diversas Congregações, com a desculpa, já desmascarada, de falta de verbas.  A Reitoria, no CONSU de meados de dezembro, sequer ouviu tais manifestações, desligando seu microfone e retirando-se do recinto.
No boletim da Aeplan de jan/2012, ficou obvio que existe margem de negociação salarial e que, há pelo menos 10 anos, há uma evidente perda de poder aquisitivo dos funcionários da Unicamp. Ao invés de investir na valorização dos trabalhadores e na adequação dos já existentes espaços de convivência, laboratórios e salas de aula, a reitoria gasta milhões na fortificação de seus muros, na blindagem de suas portas, na demolição e reconstrução da praça do Básico, na criação do CB3 e na instalação de câmeras para vigiar e punir a comunidade universitária.


Veja os demais itens da tese:


Estrutura Sindical

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!



Em 1991, logo após a Constituição permitir que servidores públicos constituíssem sindicatos, foi fundado o STU, com o lema “Um Sindicato de luta e independente da reitoria”.
Foram 2 décadas de lutas, greves, mobilizações, vitórias e derrotas: em defesa da organização sindical, por melhores salários e benefícios, pela autonomia universitária, pela democratização da universidade, por melhorias na carreira, por cursos noturnos, no Fora Collor,  contra a recessão e o desemprego, contra as punições e demissões de trabalhadores combativos, contra as terceirizações, contra o desmonte e a precarização do trabalho, por vagas na creche, em defesa da saúde pública, contra as políticas de FHC, participou da CUT burocratizada e governista e do Fórum Social Mundial.
Mais recentemente, a Entidade, burocratizada e isolada da base, filiou-se à burocracia governista – CTB, pôs fim à proporcionalidade e esvaziou os Conselhos de Representantes.
As lutas recentes travadas pelo STU, como a greve de 2011, apontam a prioridade que devemos dar à luta contra a sua burocratização, à organização da base e sua plena participação nas elaborações políticas e nas atividades do Sindicato.
Em 2011, a categoria lutou durante quase 50 dias por isonomia de salários e de direitos, mostrando muita disposição de luta, com um grande saldo político. Em vários locais de trabalho houve mobilização e bons exemplos de organização pela base.
Porém, o STU foi derrotado economicamente e a postura da diretoria de centralizar o planejamento político e os materiais da greve foram problemas que necessitam ser revistos. Os Comandos por Locais de Trabalho e o Comando Central da Greve são políticas fundamentais para a construção democrática do movimento. Desde o início estes espaços foram desvalorizados pela diretoria do STU. Tais ações causaram problemas diários, como o desencontro das informações e a desorganização do movimento. A luta iniciou com 1500 trabalhadores em frente à Reitoria e foi suspensa após um processo de enfraquecimento, com muitas baixas de participação.
O STU precisa superar a burocratização. Somente construindo pela base o Sindicato vencerá a luta pela isonomia de salários e de direitos. Para vencer as lutas, precisamos de uma nova estrutura sindical.
Reestruturação do CR em Conselhos de Unidades construídos pela base: a realidade atual da luta de classes e da Unicamp exige estímulo a uma maior participação dos trabalhadores. Com um esforço consciente e sistemático é possível organizar uma parcela ampla de ativistas dentro da Unicamp, nos seus locais de trabalho. A reorganização do Conselho de Representantes com amplo debate na base para sua plena participação nas elaborações políticas do STU, significa transformá-lo em Conselhos de Unidade, que atuem como comandos de mobilização pela base. É possível e necessário organizar centenas de ativistas dentro da Unicamp que passem a atuar sindicalmente, de forma consciente, junto ao STU.
Democratizar a comunicação do STU: para que a base tenha participação plena sobre a Entidade, é necessário refazer o canal de comunicação do STU. Os Conselhos de Unidade deverão garantir a voz do trabalhador e os jornais e boletins deverão ser o espaço para este fim. O Conselho Editorial dos boletins e das publicações do STU não podem representar uma gestão, mas sim a base. Durante a greve, foi nítido que a comunicação centralizada na Diretoria do STU prejudicou a organização dos trabalhadores: a base não sabia previamente das atividades do dia, as discussões da greve nem sempre eram publicadas e toda a informação ficava restrita à Diretoria. Para romper a comunicação burocratizada, o STU deve ter um Conselho Editorial da base e adotar medidas de proteção aos ativistas, para que possam expressar-se sem correr o risco de serem punidos. Todos os canais de comunicação devem ser abertos para a livre manifestação dos ativistas: os boletins deverão conter espaço para que a base escreva e as mídias eletrônicas devem ser mais bem exploradas, com blogs de Unidades na página do STU, listas de e-mails e envio de SMS para os trabalhadores. É necessário que a informação seja acompanhada por formação política que garanta que os processos de transformação partam da base, frutos da conscientização e das lutas políticas e econômicas da categoria.
Avançar na organização de base - a base decide: para que a organização de base possa democratizar a vida sindical, é importante que esteja integrada ao processo de discussão e deliberação do STU. A diretoria deve levar a sério a premissa de construir “com a base”, e não “por cima da base” as lutas e atividades do Sindicato. Além de possibilitar a democratização da vida sindical, a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho potencializa a sua capacidade de luta.
Fortalecer os Comandos de Base: os momentos de mobilização dos trabalhadores são os mais propícios para avançar na organização de base. Surgem mais ativistas e é maior o interesse em participar das lutas. É preciso tomar como uma regra o esforço para que, nas campanhas salariais, se constituam comandos de base que dirijam a campanha junto com a diretoria do sindicato e o comando geral, fortalecendo os comandos de greve com a participação plena da base.
Defesa da proporcionalidade: a proporcionalidade deve servir para fortalecer o STU como organizador das lutas unificadas de toda a classe, não como loteamento de espaço entre correntes políticas. Para isso é necessário que esta proporcionalidade se aplique na própria eleição da diretoria sem cláusulas de barreira e seja direta e qualificada.
Limites de reeleição: para combater a burocratização e o afastamento dos diretores da vida cotidiana da categoria e das organizações de base, devemos aplicar limites de reeleições.
Mandatos de diretores revogáveis pela base: para garantir a participação política da base e a implementação das suas decisões em Assembleia, os mandatos da diretoria devem ser revogáveis por decisão da base.
Independência de classe, a governos e Reitoria – autonomia em relação aos partidos políticos.
Fim do imposto sindical: o imposto sindical quebra a autonomia do movimento sindical, atrelando-o ao Estado, já que a estrutura sindical passa a ser financiada pelo imposto e não pelas contribuições espontâneas dos trabalhadores. O STU deve ser financiado exclusivamente por meio das contribuições da base, sempre a partir de decisão soberana dos trabalhadores e o dinheiro do imposto deve ser devolvido para a categoria.
Desfiliação da CTB. A filiação à CTB foi definida em Congresso sem prévio processo de discussão com a base, sem ser proposta no caderno de teses e antes da constituição formal da Central. A definição de filiação a uma Central Sindical deve se dar após amplo debate com a base. O STU deve ter participação orgânica no processo de reorganização dos setores combativos do movimento sindical e na construção de uma central que unifique estes setores.
Todos esses aspectos são importantes porque fortalecem a luta, incentivam o controle da organização sindical pela base e enriquecem o debate político. Desta forma, os trabalhadores aprendem lições valiosas para os enfrentamentos de classe que terão pela frente.


Veja os demais itens da tese:


Alterações Estatutárias

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!


ARTIGO 19º (...)
d) Promover avaliação da Diretoria e do Conselho de Representantes sindicais e decidir sobre a revogação do mandato individual ou coletivo, assim como a exclusão de filiados. Para a exclusão da Diretoria e do Conselho de Representantes sindicais e também de diretores, conselheiros e filiados, o quorum exigido será de 2/3 dos membros presentes à Assembleia especialmente convocada para esse fim, não podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com menos de 5% dos associados nas convocações seguintes.

§ 3º - Os membros da Diretoria que tiverem seus mandatos revogados deverão ser substituídos pelos suplentes das respectivas chapas pelas quais foram eleitos.

ARTIGO 21º (...)
§ 3° - Das Plenárias: As plenárias serão instâncias para o sindicato eleger os delegados e posições indicativas para as plenárias, seminários e congressos de Centrais, Federações e demais entidades gerais.

ARTIGO 36º - A Diretoria Sindical, órgão executivo do Sindicato, será composta por 27 (vinte e sete) membros, eleitos proporcionalmente entre as chapas concorrentes pelo voto direto e secreto de seus associados em dia com suas obrigações estatutárias.
§ ÚNICO. A diretoria será distribuída em coordenações conforme artigo 37.

ARTIGO 37º (...)
o) Coordenação de Mulheres com uma diretora liberada

ARTIGO 38º (...)
§ ÚNICO – Responderá juridicamente pelo Sindicato um dos coordenadores gerais indicado pela diretoria.

ARTIGO 40º - O mandato dos membros da diretoria será de 3 (três) anos, sendo permitida somente uma reeleição imediata.

ARTIGO 41º - Na hipótese de renúncia coletiva de mais da metade dos membros da Diretoria do Sindicato, esta será considerada destituída.

Adequação dos artigos se aprovada a proporcionalidade.

Planos de lutas


O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!

A Reitoria da Unicamp prometeu elevar o vale-alimentação para R$ 600,00 em junho. Esse aumento significa uma vitória econômica parcial para as lutas por isonomia com a USP. Ao mesmo tempo, Fernando Costa ataca o patrimônio do sindicato tentando desmontar a Entidade, intensifica a criminalização de estudantes e funcionários, tenta desunir a categoria, promove ganhos salariais através de avaliações de desempenho em uma carreira meritocrática e obscura, despreza as reivindicações dos trabalhadores e quando incrementa benefícios, tenta esvaziar o sentido das lutas, afirmando que “são os servidores da Unicamp que garantem sua excelência universitária”. Essas são as mesmas políticas que Rodas implementou na USP: só falta a PM no campus da Unicamp.
Estamos frente a uma reitoria truculenta. Devemos cobrar nossos direitos e denunciar as arbitrariedades do Reitor, exigindo que a participação dos funcionários nos processos decisórios seja efetiva na defesa do interesse público que a Reitoria nega-se a ter. Nosso movimento deve articular as denúncias com a defesa da paridade nas instâncias da Universidade.
A greve tem de ser tratada como direito e instrumento de mobilização, para expor a realidade que vivemos para fora dos muros da Universidade, para politizar o debate e mostrar as práticas antidemocráticas da Reitoria.
Porém, não é tarefa fácil sensibilizar a sociedade de Campinas com nossas reivindicações. A Unicamp mantém pouca relação com a cidade onde está localizada, exceto através do HC, em vias de privatização. Os trabalhadores da região e da própria universidade, que mantêm sua estrutura financeira com milhões de reais do ICMS arrecadados com o suor de seu trabalho diário, sequer têm acesso à Unicamp, tampouco seus filhos. Logo, a universidade, que se diz pública, não é aberta ao público. Também não é gratuita, já que é financiada com dinheiro público. Sua qualidade é a de não estar a serviço da classe trabalhadora, que a mantém com seu trabalho, mas sim de joelhos ao grande capital, produzindo para a burguesia. A Unicamp não oferece estruturas adequadas aos estudantes, como moradia, restaurantes, bolsas etc.
Na luta pela isonomia, dentro e fora do Campus, precisamos defender mais verbas para a educação, como fizemos na campanha dos 10% do PIB para a educação pública já e quando exigimos maiores repasses de ICMS, sem a intervenção do capital privado ou de cursos pagos, articulando essas campanhas com a exigência de uma universidade pública, gratuita e de qualidade para a classe trabalhadora.
A nossa defasagem salarial e o desrespeito à prestação do serviço público também devem ser denunciados. Os servidores são tratados como colaboradores, sem quaisquer resquícios de legitimidade para a elaboração do processo de trabalho que segue centralizado nas mãos do alto escalão da universidade. Precisamos denunciar que as universidades são tratadas como feudos por pessoas cuja vinculação ao projeto político do governo estadual e federal elimina, na prática, a autonomia universitária e submete a Unicamp aos interesses do imperialismo e do grande capital.
Nesse quadro, devemos continuar denunciando as políticas privatistas da Reitoria e fortalecer o STU, através do controle efetivo da base sobre a Entidade e defender a democracia e a paridade nas instâncias deliberativas da Unicamp. Desta forma, nossas lutas gerais em defesa da classe trabalhadora e de denúncias e exigências aos governos seguem na ordem do dia.
-Isonomia já
- Contra a autarquização do HC
- Fim do estágio probatório de 3 anos, das punições, dos descontos e da lei da mordaça
- Pelo regime jurídico único
- Contra a terceirização
- Paridade nas instâncias da universidade
- Universidade pública para a classe trabalhadora
- Redução da jornada: 30 horas é você quem faz
- Carreira unificada entre as estaduais paulistas construída pelos trabalhadores
- Valorização do servidor e do serviço públicos
- Fim do imposto sindical
- Solidariedade aos moradores do Pinheirinho
- Reforma urbana, com investimento público em habitação, sob controle dos trabalhadores. Abaixo à expulsão das comunidades ameaçadas de despejo pelos governos e polícia. Apoio ao direito de autodefesa das comunidades ameaçadas
- Por um plano econômico dos trabalhadores, aumento geral de salários e garantia de recomposição automática para evitar as perdas salariais
- Redução e congelamento dos preços, tarifas e aluguéis
- Salário mínimo conforme o cálculo do DIEESE
- Estabilidade no emprego: fim da demissão imotivada e da informalidade do trabalho. Emprego para todos
- Reajuste das aposentadorias igual ao do salário mínimo; fim do fator previdenciário
- Defesa dos direitos trabalhistas e sociais
- Estatização do sistema financeiro
- Reforma agrária com o fim do latifúndio e do agronegócio, políticas públicas, apoio técnico e financiamento para o pequeno produtor rural
- Em defesa do meio ambiente. Contra a construção de Belo Monte e a transposição do rio São Francisco
 - Contra a criminalização do movimento social. Em defesa do direito de lutar, do direito de greve dos trabalhadores e dos dirigentes das lutas presos e perseguidos. Apuração e punição imediata dos assassinatos dos dirigentes dos trabalhadores rurais
- Desmilitarização das polícias militares e corpos de bombeiros, vetando seu uso na repressão aos trabalhadores e aos movimentos populares
- Punição aos assassinos e torturadores do regime militar
- Contra a privatização dos aeroportos. Reestatização das estatais privatizadas sem indenização
- Não pagar a dívida pública interna e externa para ter 10% do PIB já para educação pública e 6% do PIB para a saúde pública
- Pelo direito à organização dos trabalhadores nos locais de trabalho
- Contra todas as formas de opressão às mulheres, negros e homossexuais e demais setores oprimidos. Salário igual para trabalho igual. Creches para as famílias trabalhadoras. Abaixo à violência policial contra os negros nos bairros pobres. Em defesa dos territórios quilombolas. Pela criminalização da homofobia
- Desenvolvimento de uma política de formação sobre a questão étnica e racial: em defesa da semana da consciência negra
- Política de cotas para ingresso de trabalhadores negros na Unicamp
- Exigir dos governos Dilma e Alckmin que 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, seja feriado nacional e estadual
- Criação da Coordenação de Mulheres, com uma diretora liberada, com pelo menos uma reunião mensal aberta à participação de todas as trabalhadoras
- Campanha de sindicalização de mulheres
- Garantir que em todas as atividades do sindicato tenham creche, especialmente nas greves e nos congressos
- Promover atividades relacionadas à sexualidade
- Defesa da união estável civil homossexual
- Orientação sexual nas escolas
- Combate à homofobia e punição aos que discriminam ou agridem com comportamentos homofóbicos
- Cursos de formação e atividades que discutam as opressões
- Realização de Encontros bienais da luta contra as opressões, intercalados com os anos de Congresso do STU
- Publicações mensais que tratem das opressões
- Levantamento sobre a realidade funcional dos setores oprimidos dentro da Unicamp, considerando salário, evolução funcional, cargos, assedio sexual e moral em função de raça, gênero ou orientação sexual
- Todo apoio à revolução árabe e às lutas dos trabalhadores europeus contra os planos de austeridade
- Fora as tropas brasileiras do Haiti
- Pela unidade da luta internacional dos trabalhadores
- Nenhuma confiança nos governos Dilma, Alckmin e Serafim
- Por um governo dos trabalhadores e uma sociedade socialista


Veja os demais itens da tese:

Questão racial

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!

Políticas permanentes e combate às opressões: questão racial, gênero e orientação sexual

O governo Dilma vende a ideia de que o Brasil combate o racismo através da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (um órgão que se quer tem verba), do ProUni (que joga a população negra e carente em universidades privadas de baixa qualidade) e da proposta de cotas (inserida no projeto de Reforma Universitária que visa privatizar o ensino).
Na Unicamp, o racismo é evidente: os negros ocupam os piores postos de trabalho. Entre a década de 80 e 90, quando a Unicamp contratava servidores de nível fundamental, os negros ocupavam estes postos de trabalho e eram os mais combativos da categoria. Com a terceirização, a maioria dos negros são submetidos a relações de trabalho precarizadas e perdem seu direito de lutar.
O ingresso de servidores negros via concurso público é ínfimo, pois a seleção não é isonômica: a maioria dos negros está sujeita aos piores sistemas educacionais. Por este motivo, uma política anti-racista é o sistema de cotas para ingresso no serviço público.
O combate ao racismo foi negligenciado pela atual gestão do STU. No auge da greve, na Semana da Consciência Negra, a Diretoria não promoveu debates sobre os negros e o racismo, mesmo com diversos ativistas dispostos a construir a Semana. Não podemos admitir que isto ocorra novamente. Devemos incorporar o combate ao racismo no nosso calendário de lutas.


Veja os demais itens da tese:


Gênero

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!

Políticas permanentes e combate às opressões: questão racial, gênero e orientação sexual


A desigualdade de gênero inicia-se com a divisão social do trabalhado, limitando a mulher à tarefa da maternidade, que passa a ter a função “sagrada” de procriar e educar as novas gerações, sendo praticamente excluída do trabalho e reduzida aos afazeres domésticos. Esta situação se perpetua até o início do século XIX, quando a mulher é inserida no mercado de trabalho, recebendo pagamentos menores que os homens para fazer a mesma atividade.
As mulheres são excluídas até das estatísticas de trabalho, que só consideram o número de mulheres economicamente ativas, ou seja, que trabalham fora de casa. As atividades de dupla e tripla jornada de trabalho, como cozinhar, lavar, passar, cuidar da casa e da educação dos filhos não são contabilizadas como trabalho, desobrigando o Estado de fornecer educação, saúde, restaurantes, lavanderias públicas.
O capitalismo não inventou o machismo, mas se utiliza dele para aumentar a exploração da classe trabalhadora e, com isso, seus lucros. Por este motivo, o movimento de mulheres tem de ter um enfoque classista.
O governo Dilma mostra isto claramente. O fato de Dilma ser mulher não significa que ela está ao lado dos trabalhadores. Como ela, mulheres como Hillary Clinton, Condolezza Rice, Cristina Kirshner, entre outras que assumem postos de comando nos governos burgueses, estão a serviço do imperialismo, aplicando as políticas neoliberais de superexploração da classe trabalhadora e, dentro dela, das mulheres trabalhadoras.
A exemplo disto, na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres realizada em dezembro de 2011, Dilma tratou as mulheres nos marcos da maternidade e dos cuidados familiares, descaracterizando a mulher trabalhadora. Seu governo não quer discutir a descriminalização do aborto e tampouco a sua legalização, e sem um recorte classista, não há políticas públicas para a proteção do emprego da mulher nem de combate à dupla jornada de trabalho. Em seu governo há um avanço da violência contra a mulher e a banalização e o aumento do machismo. Isto nos mostra que as mulheres estão divididas em classes sociais distintas e isso faz com que tenham programas de luta distintos.
Neste marco, a luta das trabalhadoras da Unicamp deve incorporar bandeiras gerais e específicas da Universidade.
Licença maternidade: as trabalhadoras devem lutar unidas pela licença maternidade de 6 meses, de modo que se constitua num direito desvinculado da contribuição ao Estado, de forma obrigatória e sem isenção-fiscal, garantida a todas as mulheres, trabalhadoras e estudantes, extensivo às trabalhadoras que estão na informalidade. Na Unicamp, temos de lutar para que a licença não seja considerada como “ausência” em nenhum tipo de avaliação, seja da carreira ou do estágio probatório.
Sistema educacional: diversas mudanças foram implantadas pela nova Direção do Dedic sem a participação dos pais e professores. Houve mudanças em cargos de chefia e diversos profissionais foram realocados. Não existem mais plantões de férias nos meses de janeiro e julho e o DGRH paga uma quantia nas férias para que a criança fique em casa, o que não resolve o problema da mãe trabalhadora que tem somente 30 dias de férias e não tem com quem deixar seus filhos além deste período. A alegação do DGRH é que este período de férias é necessário para que se faça a manutenção das creches e eventuais reformas sem colocar as crianças em risco. Mas não é o que tem acontecido. O que os pais se deparam, ao voltar do período de férias, é com uma desorganização total: salas bagunçadas, brinquedos ensacados e as reformas e manutenções ainda ocorrendo. Além disso, a direção do Dedic, ao contrário do que acontecia anteriormente, monta as turmas sem levar em conta a opinião dos professores, gerando descontentamento tanto dos professores quanto dos pais. A intenção da Reitoria é claramente a de desmontar o sistema educativo até ficar com o que é obrigatório para a empresa, ou seja, o berçário, sendo que até este direito pode ser terceirizado pela instituição pagando-se um auxílio-criança. Acontece aqui, o que já aconteceu com outros serviços da Universidade como a limpeza, manutenção e segurança: a terceirização e o desmonte gradual com graves prejuízos para o trabalhador e para a própria Universidade Pública. Precisamos resgatar a participação efetiva dos trabalhadores (pais e professores) nas instâncias de decisão do Sistema Educativo e promover discussões e grupos de trabalhos que tratem da questão e também das reivindicações das profissionais de educação.
Combate à violência: após 4 anos da Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher não diminui. A cada 2 minutos 5 mulheres são agredidas e há cada 2 horas morre um mulher vítima de agressão. Nem a “ilha” da Unicamp escapou: em 2011 diversas denúncias de estupros trouxeram o problema à tona para as trabalhadoras e estudantes. É preciso que a Lei seja aplicada e ampliada, punindo os agressores e que políticas públicas possibilitem a melhora de condições de vida para a classe trabalhadora.
Descriminalização e legalização do aborto: dentre as mulheres com idade até 40 anos, 1 em cada 5 já fez aborto. Cerca de 2/3 das mulheres que fizeram aborto são católicas, 1/4 protestantes ou evangélicas. Isto mostra que a maioria das mulheres que pratica o aborto é religiosa, o que coloca em contradição as afirmações das Igrejas contra o aborto. Milhares de mulheres morrem vítimas de aborto clandestino. A primeira medida é descriminalizar o aborto: as mulheres não podem ser presas por abortar. A legalização é bastante polêmica, por isso é preciso avançar neste debate entre as trabalhadoras da Unicamp. O STU deve promover espaços de debates e discussões que abordem o tema, que instrumentalize e oriente as mulheres.
Movimento de mulheres: embora ninguém assuma ter um comportamento machista, podemos notar que o espaço sindical é masculino. As mulheres assumem tarefas de organização, secretaria, cuidados, mas não encabeçam as tarefas de elaborar a política e falar em assembleias. É preciso romper com esta lógica, aplicando medidas que promovam as mulheres. Por isso, defendemos um movimento unificado das mulheres ativistas não apenas para organizar espaços, como o 8 de março, mas para uma intervenção unificada, afirmando o papel das mulheres como protagonistas das atividades sindicais.
Combate ao machismo: temos de travar a discussão do machismo dentro do Sindicato, fazer amplas campanhas de sindicalização das mulheres e trazê-las ao combate contra o machismo como ideologia burguesa que envenena e desagrega a classe trabalhadora.


Veja os demais itens da tese:


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Reunião de Mulheres no STU


Quarta-feira (29/02) às 12h haverá uma reunião no STU com as trabalhadoras da Unicamp para organizarmos o 8 de março na Unicamp.

Ideias para o 08 de março
A proposta é que organizemos uma caminhada no dia 08/03 no horário de almoço, saindo do STU e chegando na Reitoria, tendo um lanche ao final da caminhada.
Para a caminhada, a ideia seria de ter muito visual: cartazes ("pirulitos") com as reivindicações das mulheres, problematizar a questão do sistema educacional etc.

Camisetas
Entre as propostas para o 8 de março, tem a sugestão de confecção de camisetas para arrecadação de fundos ao STU. A camiseta seria roxa (cor do movimento de mulheres) com um texto genérico, como, por exemplo "STU - Mulheres em Luta", sem caracterizar nenhuma gestão para todas e todos ativistas pudessem adquirir.

Congresso do STU
Para além do 8 de março, o Coletivo Levante! CSP-Conlutas através da tese "O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!" propôs que aproveitássemos o mês de março para organizarmos as mulheres ativistas da Unicamp em unidade para apresentação de uma contribuição coletiva para o Congresso do STU. A proposta é que o ponto de mulheres ganhe destaque durante o Congresso do STU.
Abaixo algumas das contribuições  da tese "O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!" para o debate de mulheres:
- Contra todas as formas de opressão às mulheres, negros e homossexuais e demais setores oprimidos.
- Salário igual para trabalho igual.
- Creches para as famílias trabalhadoras.
- Criação da Coordenação de Mulheres, com uma diretora liberada, com pelo menos uma reunião mensal aberta à participação de todas as trabalhadoras
- Campanha de sindicalização de mulheres
- Garantir que em todas as atividades do sindicato tenham creche, especialmente nas greves e nos congressos
- Promover atividades relacionadas à sexualidade
- Cursos de formação e atividades que discutam as opressões
- Realização de Encontros bienais da luta contra as opressões, intercalados com os anos de Congresso do STU
- Publicações mensais que tratem das opressões
- Levantamento sobre a realidade funcional dos setores oprimidos dentro da Unicamp, considerando salário, evolução funcional, cargos, assedio sexual e moral em função de raça, gênero ou orientação sexual

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!

O prazo para entrega das teses para o Congresso do STU é dia 23/02 (quinta-feira).
Nós, do coletivo Levante! CSP-Conlutas defendemos que este congresso deverá ter como eixo central avançar na organização da base. Por isso, estamos construindo coletivamente, junto à base, a tese "O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!".
Participe! Envie suas contribuições até o dia 17/02 para o e-mail levanteunicamp@gmail.com ou para levante@hotmail.com.br.

Lutas de 2011 conseguem arrancar auxílio-alimentação de R$ 600

     Em, 2008, após as lutas da categoria, a Universidade insere o programa de vale-alimentação aos servidores técnico-administrativos. Os valores eram escalonados, iniciando-se em R$ 20,00 e contemplavam apenas uma fração dos trabalhadores.
    As lutas continuaram e o programa deste benefício foi ampliado gradativamente. A principal reivindicação dos trabalhadores era que o vale-alimentação fosse para todos e isonômico com a USP.
   Em 2011, indignada, nossa categoria organizou-se em uma das maiores mobilizações dos últimos anos: foram 50 dias lutas e mais de 200 trabalhadores tiveram corte de ponto e alguns ativistas receberam a lei da mordaça, sendo punidos por simplesmente expressar a sua indignação.
    Estas medidas fizeram com que a categoria ficasse ainda mais indignada. E, justamente neste momento, o auxílio-alimentação aumenta, nos marcos das reivindicações dos trabalhadores (clique aqui para ver os novos valores).
    Essa conquista da categoria mostra a importância de lutarmos unidos. Agora, nossa luta avança para a isonomia salarial com a USP, pela retirada das punições, pelo fim da lei da mordaça, pelo fim do estágio probatório e das terceirizações, contra a autarquização do HC e o desmonte do sistema educacional (CECI e PRODECAD).
    Vamos avançar na nossa organização de base para fortalecer a união dos trabalhadores por uma universidade democrática, que valorize os servidores e o serviço público!

Vídeo: música brasileira na versão de lutas (Portugal)

Música brasileira recebe versão de lutadores em Portugal. Confira!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TESE: O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas.

Convidamos todos a participar da construção coletiva desta tese e avançar na organização de base. Até o dia 17/02, sexta-feira, envie a sua contribuição para levanteunicamp@gmail.com


1. Conjuntura nacional e internacional
             A crise econômica veio para ficar e seus efeitos já são considerados maiores que a crise de 1929, gerando mobilizações na Europa. No mundo árabe, revoluções derrubam ditaduras. No Haiti, a ocupação militar brasileira está a serviço do imperialismo para oprimir o povo.
             No Brasil, o Governo Dilma aumenta os juros, diminui os investimentos públicos e arrocha salários, favorecendo os banqueiros e a grande burguesia. Ao mesmo tempo, privatiza os aeroportos e avança na privatização dos Correios e dos hospitais universitários.
             Em São Paulo, Alckimin promove a higienização sócio-racial e a criminalização dos movimentos sociais, como em Pinheirinho e na Cracolândia.
             Em Campinas, os vereadores aumentam o próprio salário em 126% e não abrem eleições diretas para Prefeito.

2. Universidade
             A Reitoria não ouve as reivindicações dos trabalhadores por isonomia de salários e de direitos e prioriza os investimentos em obras faraônicas, como a reforma do Básico e o CB3. Também não discute paridade e democracia dentro na Universidade, aplicando a lei da mordaça aos trabalhadores grevistas e descontando seus salários.

3. Estrutura sindical
- avançar na construção pela base: a base decide
- reestruturação dos CRs em Conselhos de Unidades construídos pela base, com plena participação na elaboração política do STU
- proporcionalidade
- mandatos de diretores revogáveis pela base e limite de reeleições
- autonomia em relação a partidos políticos
- independência de classe, a governos e Reitoria
- fim do imposto sindical
- desfiliação da CTB
- definição de filiação à Central Sindical após amplo debate com a base
- participação orgânica do STU no processo de reorganização dos setores combativos do movimento sindical e na construção de uma central que unifique estes setores.
4. Alterações estatutárias
Todas as mudanças necessárias para efetivação da participação plena da base na elaboração política do STU e na renovação da estrutura sindical.

5. Planos de lutas
- Isonomia já e R$ 510 pra todo mundo!
- Contra a privatização do HC!
- Pelo fim do estágio probatório!
- Fim das punições, dos descontos e da lei da mordaça!
- Paridade nas instâncias da universidade!
- Redução da jornada: 30 horas é você quem faz!
- Carreira unificada entre as estaduais paulistas construída pelos trabalhadores!
- Fim das terceirizações!
- Contra a criminalização dos movimentos sociais: lutar não é crime, é um direito!

6. Políticas permanentes e combate às opressões: questão racial, gênero e orientação sexual
- Criação da Coordenação de Mulheres, tendo uma diretora liberada
- Encontros bienais da luta contra as opressões, intercalando com os anos de Congresso do STU
- Construção de creches para atender toda a demanda
- Combate à homofobia, ao racismo e à violência contra a mulher!
- Pelo fim da violência contra a mulher! Punição aos agressores! Construção de casas-abrigo! Ampliação e aplicação da Lei Maria da Penha!
- Anticoncepcionais para não abortar. Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!
- Ampliação da licença paternidade para 30 dias
- Cursos de formação, debates e demais atividades que discutam o tema das opressões e sexualidade
- Defesa da união estável civil homossexual
- Garantir publicações mensais e periódicas ou boletins especiais que trate especificamente das opressões
- Levantamento minucioso sobre a realidade funcional dos setores oprimidos e da manifestação das opressões nas relações de trabalho: assedio sexual, assedio moral em função de raça, sexo ou orientação sexual e outras formas de opressão.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Balanço da Greve

por Adriana Stella

Foram cerca de 50 dias em que construímos, juntos, a luta por isonomia de salários e de direitos na Universidade. Essa luta, que apenas começou, necessita de um balanço coletivo para sua continuidade.
É claro que em poucas palavras não daremos conta de todo o debate, por isso, disponibilizaremos o blog (http://www.levanteunicamp.blogspot.com), o e-mail (levante@hotmail.com.br ou levanteunicamp@gmail.com) e o facebook e do Coletivo Levante! CSP-Conlutas (http://pt-br.facebook.com/groups/levante) para aprofundarmos as discussões. Seja bem vindo(a) e envie a sua contribuição. Aqui, deixarei um pouco das minhas considerações.
Primeiro, destaco que construímos nossa greve nos marcos de um ascenso das lutas da classe trabalhadora: internacionalmente estão nas lutas populares do mundo árabe, na Europa, lutam para resistir aos ataques contra seus direitos e nível de vida, nos marcos da crise financeira que abala o capitalismo no mundo. No Brasil, as lutas na construção civil, greves de professores, bancários, trabalhadores dos correios etc. FASUBRA, ANDES e SINASEFE lutaram por melhorias nos salários, carreiras e estrutura das Universidades.
Aqui na Unicamp, tivemos um grande saldo político: nossa categoria mostrou muita disposição de luta! Em vários locais de trabalho tivemos muita mobilização e bons exemplos de organização pela base. Aprovamos moções de solidariedade à greve em Congregações de diversas Unidades como IMECC, IA, IFGW, FE, IB etc.
Além disto, construímos bons debates na greve: Democracia na Universidade, Investimentos na Educação Pública, Orçamento da Universidade e Criminalização dos Movimentos Sociais. Mas ainda temos muito para discutir, como, racismo, homofobia, machismo, conjuntura, entre outros.
Porém, “nem tudo são flores”: fomos derrotados economicamente e a postura da nova diretoria do STU em centralizar o planejamento político e dos materiais da greve foi um problema que precisamos rever. Os Comandos por Locais de Trabalho e o Comando Central da Greve são políticas fundamentais para a construção democrática do movimento. Desde o início esses espaços foram desvalorizados pela diretoria do STU. Tais ações causaram-nos problemas diários, como o desencontro das informações e a desorganização do movimento. Iniciamos a luta com 1500 trabalhadores em frente à Reitoria. Suspendemos o movimento após um processo de enfraquecimento, com muitas baixas de participação.
Nós defendemos a construção das lutas pela base e sempre com a base. Esta prática temos de levar não só para as greves, mas também para o congresso do STU, que ocorrerá em breve. Por isso, propomos rever os CRs e transformá-los em Conselhos de Unidade, construídos pela base, com plena participação na elaboração política do STU. Construindo pela base, avançaremos nas conquistas por nossas reivindicações!