O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!
A crise
econômica mundial iniciou em 2008 e já é maior que a de 1929, abalando todos os
mercados e os governos imperialistas dos EUA e da Europa.
A crise começou
nos EUA, com a explosão da “bolha de crescimento artificial”: a especulação
financeira era maior do que a produção industrial. Enquanto a produção mundial,
em 2006, somava US$ 47 trilhões, a especulação movimentava US$ 170 trilhões, quase
4 vezes mais. A crise gerou desemprego em massa, fome, e a perda de milhares de
casas para garantir os lucros dos banqueiros.
Para conter a
crise, o governo Obama atacou os trabalhadores: cortou investimentos públicos e
doou quantias exorbitantes de dinheiro para os banqueiros. Essa política mostrou
que o “primeiro presidente negro” dos EUA não está ao lado dos trabalhadores,
mas sim do imperialismo e do grande capital.
Os reflexos
da crise se espalharam pelo mundo. Na Europa, a zona do Euro é a mais afetada.
Inicia-se uma recessão econômica com possibilidade de quebra de bancos e Estados.
Em países como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, a entrada de Euros
está diminuindo, o que aumenta as dívidas públicas, e gera altas taxas de juros.
Para
preservar o Euro, as burguesias alemã e francesa exigem a submissão desses
países às políticas do FMI: corte de verbas para a saúde, moradia, educação e
transporte, diminuição salarial, corte de direitos trabalhistas, aumento do
tempo de contribuição para a aposentadoria, demissões e terceirizações.
Para defender
os lucros dos banqueiros, os governos descarregam a crise nos trabalhadores e
na juventude, que reagem lutando em greves gerais e manifestações na Grécia,
Portugal e Inglaterra, marcha dos indignados na Espanha e derrotas eleitorais
de partidos governistas, como na Alemanha.
O povo também
luta no mundo árabe, abrindo uma crise na dominação imperialista americana e
européia nessa região, que é estratégica pelas reservas de petróleo. A revolta
das massas árabes contra anos de exploração, miséria e desemprego, agravados
pela crise econômica mundial, derrubou ditaduras pró-imperialistas, como
Mubarak no Egito, e Kadafi na Líbia.
A fim de
manter seu domínio na região e deter a ação das massas, o imperialismo
americano e europeu apoia governos militares e civis de “transição” no Egito,
na Líbia e no Iêmen.
Na América
latina, a crise econômica e a dominação imperialista também produzem seus
efeitos. No Haiti, sob a falsa bandeira de “pacificar” o país, a ONU e os
governos que enviaram tropas militares de ocupação – entre eles o Brasil – apoiam
uma vergonhosa agressão imperialista contra o povo negro.
No país, após
o terremoto de 2009, os haitianos vivem acampados nas ruas, sem luz, alimento e
água potável. Ao mesmo tempo, dirigentes sindicais são demitidos, ativistas são
presos, ocorrem estupros e assassinatos, sempre com a participação direta ou
conivente das tropas de ocupação, que reprimem os movimentos sociais que lutam
contra o desemprego, a fome e a miséria. Essa política colonialista, racista e
de dominação econômica e militar sobre o povo haitiano se dá com a cumplicidade
do governo Dilma e do governo Obama.
Na Venezuela,
Hugo Chávez estabelece com o governo colombiano um pacto comercial cuja moeda
de troca é a colaboração militar e a perseguição, a tortura e morte de
ativistas dos movimentos sociais de ambos os países. Na Venezuela, ocorrem
perseguições a dirigentes camponeses, sindicais e populares, em um processo de
ataques contra aqueles que hoje se organizam e protestam no país por empregos,
melhores salários, moradia, educação, saúde etc.
No Brasil, a economia ainda não sente com
tanta intensidade os efeitos da crise e encerrou 2011 com crescimento de 3,5%, contrariando
todas as previsões do governo e demonstrando que já existe uma desaceleração
econômica. O Brasil não está imune à crise.
Diante disso, o governo e a patronal preparam
profundos ataques aos trabalhadores: corte de R$ 55 bilhões no orçamento
federal, o maior de toda a história, com grave redução na educação (R$ 3,1
bilhões) e destinação de 49,15% de todo o orçamento para o pagamento de juros e
amortizações aos banqueiros.
A continuidade
do modelo da economia brasileira como uma plataforma de produção e exportação
de commodities agrícolas para o mundo, e automóveis e eletrodomésticos para a
América Latina, aprofunda a vulnerabilidade da economia brasileira aos
sobressaltos da crise internacional.
O governo do
PT retomou as privatizações, com a entrega dos aeroportos à iniciativa privada e
também os Correios e Hospitais Públicos, dentre eles, os Universitários. Tramitam
ainda no Congresso Nacional projetos de lei que atacam direitos dos servidores
públicos e congelam seus salários. No campo, o novo Código Florestal é um
enorme retrocesso na luta ambiental e fortalece o agronegócio.
A falta de
políticas para a moradia também são marcas dos governos. A tragédia ocorrida na
região serrana do Rio de Janeiro deixou à mostra o desastre político, econômico
e social a que estão submetidos os trabalhadores frente ao governo Dilma e ao governo
Cabral (RJ). Após um ano, nenhuma casa foi construída na região.
Enquanto isso,
para favorecer a especulação imobiliária, o governo Alckmin e a justiça, numa
violenta ação policial, desalojaram os moradores do bairro Pinheirinho de São
José dos Campos/SP, construído desde 2004, onde viviam 8 mil pessoas, para
deixá-las ao relento, o que mereceu um amplo repúdio da sociedade brasileira e
da comunidade internacional.
A desocupação
do Pinheirinho não é um caso isolado. A realização de megaeventos, como a Copa
e as Olimpíadas, está significando mais ataques aos trabalhadores. Os governos
federal, estaduais e municipais estão implementando um plano de contra-reforma
urbana. Os governos e empresários, para
favorecer a especulação imobiliária, desencadearam uma campanha de higienização
sócio-racial (Favela do Moinho, cracolândia etc.) criminalizando a pobreza.
Assim, a
ineficácia do Programa “Minha casa, Minha vida” está demonstrada: existe no
país um déficit habitacional de 11 milhões de casas e a necessidade de uma
reforma urbana que possa dar casas para os necessitados e melhorar a situação
caótica nos bairros populares.
No Brasil, a
face repressora do Estado se manifesta na perseguição e criminalização dos
movimentos sociais, como ocorrido na prisão arbitrária de manifestantes do ato
contra a visita de Obama ao Rio de Janeiro em 2011, na repressão e perseguição
na USP, e, mais recentemente, na prisão de líderes e ativista das greves dos
PMs e bombeiros dos estados da Bahia e Rio de Janeiro.
Em São Paulo, os governos
do PSDB marcaram ao funcionalismo um período de perdas constantes de poder
aquisitivo e uma desvalorização da profissão. Como a política do Estado está no
bico tucano a pelo menos 16 anos, seus reflexos se traduzem em salários
aviltantes, repressão policial aos grevistas, confronto com o movimento
estudantil e criminalização dos movimentos sociais.
Em Campinas, o
povo trabalhador é vítima dos escândalos de corrupção que o prefeito Hélio
(PDT) e seu vice Demétrio Vilagra (PT) cometeram contra a cidade, sucateando os
serviços de saúde, as creches e ainda atrasando o 13º salário dos municipais. Os
corruptos que roubaram mais de R$ 600 bilhões seguem impunes. A Câmara
Municipal, desmoralizada, votou um aumento de 126% para os vereadores, desprezando
a opinião da população e legislando em causa própria.
Como se não
bastassem todos estes ataques aos trabalhadores de Campinas, vem ainda o GOLPE
final: eleições indiretas para Prefeito. É a reedição dos tempos da ditadura,
onde 33 picaretas, que só pensam em como aumentar seus salários, vão querer
eleger, no lugar do povo, o próximo prefeito, e, para isso, ainda contam com o
aval da justiça.
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