Levante! Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Unicamp

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Planos de lutas


O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!

A Reitoria da Unicamp prometeu elevar o vale-alimentação para R$ 600,00 em junho. Esse aumento significa uma vitória econômica parcial para as lutas por isonomia com a USP. Ao mesmo tempo, Fernando Costa ataca o patrimônio do sindicato tentando desmontar a Entidade, intensifica a criminalização de estudantes e funcionários, tenta desunir a categoria, promove ganhos salariais através de avaliações de desempenho em uma carreira meritocrática e obscura, despreza as reivindicações dos trabalhadores e quando incrementa benefícios, tenta esvaziar o sentido das lutas, afirmando que “são os servidores da Unicamp que garantem sua excelência universitária”. Essas são as mesmas políticas que Rodas implementou na USP: só falta a PM no campus da Unicamp.
Estamos frente a uma reitoria truculenta. Devemos cobrar nossos direitos e denunciar as arbitrariedades do Reitor, exigindo que a participação dos funcionários nos processos decisórios seja efetiva na defesa do interesse público que a Reitoria nega-se a ter. Nosso movimento deve articular as denúncias com a defesa da paridade nas instâncias da Universidade.
A greve tem de ser tratada como direito e instrumento de mobilização, para expor a realidade que vivemos para fora dos muros da Universidade, para politizar o debate e mostrar as práticas antidemocráticas da Reitoria.
Porém, não é tarefa fácil sensibilizar a sociedade de Campinas com nossas reivindicações. A Unicamp mantém pouca relação com a cidade onde está localizada, exceto através do HC, em vias de privatização. Os trabalhadores da região e da própria universidade, que mantêm sua estrutura financeira com milhões de reais do ICMS arrecadados com o suor de seu trabalho diário, sequer têm acesso à Unicamp, tampouco seus filhos. Logo, a universidade, que se diz pública, não é aberta ao público. Também não é gratuita, já que é financiada com dinheiro público. Sua qualidade é a de não estar a serviço da classe trabalhadora, que a mantém com seu trabalho, mas sim de joelhos ao grande capital, produzindo para a burguesia. A Unicamp não oferece estruturas adequadas aos estudantes, como moradia, restaurantes, bolsas etc.
Na luta pela isonomia, dentro e fora do Campus, precisamos defender mais verbas para a educação, como fizemos na campanha dos 10% do PIB para a educação pública já e quando exigimos maiores repasses de ICMS, sem a intervenção do capital privado ou de cursos pagos, articulando essas campanhas com a exigência de uma universidade pública, gratuita e de qualidade para a classe trabalhadora.
A nossa defasagem salarial e o desrespeito à prestação do serviço público também devem ser denunciados. Os servidores são tratados como colaboradores, sem quaisquer resquícios de legitimidade para a elaboração do processo de trabalho que segue centralizado nas mãos do alto escalão da universidade. Precisamos denunciar que as universidades são tratadas como feudos por pessoas cuja vinculação ao projeto político do governo estadual e federal elimina, na prática, a autonomia universitária e submete a Unicamp aos interesses do imperialismo e do grande capital.
Nesse quadro, devemos continuar denunciando as políticas privatistas da Reitoria e fortalecer o STU, através do controle efetivo da base sobre a Entidade e defender a democracia e a paridade nas instâncias deliberativas da Unicamp. Desta forma, nossas lutas gerais em defesa da classe trabalhadora e de denúncias e exigências aos governos seguem na ordem do dia.
-Isonomia já
- Contra a autarquização do HC
- Fim do estágio probatório de 3 anos, das punições, dos descontos e da lei da mordaça
- Pelo regime jurídico único
- Contra a terceirização
- Paridade nas instâncias da universidade
- Universidade pública para a classe trabalhadora
- Redução da jornada: 30 horas é você quem faz
- Carreira unificada entre as estaduais paulistas construída pelos trabalhadores
- Valorização do servidor e do serviço públicos
- Fim do imposto sindical
- Solidariedade aos moradores do Pinheirinho
- Reforma urbana, com investimento público em habitação, sob controle dos trabalhadores. Abaixo à expulsão das comunidades ameaçadas de despejo pelos governos e polícia. Apoio ao direito de autodefesa das comunidades ameaçadas
- Por um plano econômico dos trabalhadores, aumento geral de salários e garantia de recomposição automática para evitar as perdas salariais
- Redução e congelamento dos preços, tarifas e aluguéis
- Salário mínimo conforme o cálculo do DIEESE
- Estabilidade no emprego: fim da demissão imotivada e da informalidade do trabalho. Emprego para todos
- Reajuste das aposentadorias igual ao do salário mínimo; fim do fator previdenciário
- Defesa dos direitos trabalhistas e sociais
- Estatização do sistema financeiro
- Reforma agrária com o fim do latifúndio e do agronegócio, políticas públicas, apoio técnico e financiamento para o pequeno produtor rural
- Em defesa do meio ambiente. Contra a construção de Belo Monte e a transposição do rio São Francisco
 - Contra a criminalização do movimento social. Em defesa do direito de lutar, do direito de greve dos trabalhadores e dos dirigentes das lutas presos e perseguidos. Apuração e punição imediata dos assassinatos dos dirigentes dos trabalhadores rurais
- Desmilitarização das polícias militares e corpos de bombeiros, vetando seu uso na repressão aos trabalhadores e aos movimentos populares
- Punição aos assassinos e torturadores do regime militar
- Contra a privatização dos aeroportos. Reestatização das estatais privatizadas sem indenização
- Não pagar a dívida pública interna e externa para ter 10% do PIB já para educação pública e 6% do PIB para a saúde pública
- Pelo direito à organização dos trabalhadores nos locais de trabalho
- Contra todas as formas de opressão às mulheres, negros e homossexuais e demais setores oprimidos. Salário igual para trabalho igual. Creches para as famílias trabalhadoras. Abaixo à violência policial contra os negros nos bairros pobres. Em defesa dos territórios quilombolas. Pela criminalização da homofobia
- Desenvolvimento de uma política de formação sobre a questão étnica e racial: em defesa da semana da consciência negra
- Política de cotas para ingresso de trabalhadores negros na Unicamp
- Exigir dos governos Dilma e Alckmin que 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, seja feriado nacional e estadual
- Criação da Coordenação de Mulheres, com uma diretora liberada, com pelo menos uma reunião mensal aberta à participação de todas as trabalhadoras
- Campanha de sindicalização de mulheres
- Garantir que em todas as atividades do sindicato tenham creche, especialmente nas greves e nos congressos
- Promover atividades relacionadas à sexualidade
- Defesa da união estável civil homossexual
- Orientação sexual nas escolas
- Combate à homofobia e punição aos que discriminam ou agridem com comportamentos homofóbicos
- Cursos de formação e atividades que discutam as opressões
- Realização de Encontros bienais da luta contra as opressões, intercalados com os anos de Congresso do STU
- Publicações mensais que tratem das opressões
- Levantamento sobre a realidade funcional dos setores oprimidos dentro da Unicamp, considerando salário, evolução funcional, cargos, assedio sexual e moral em função de raça, gênero ou orientação sexual
- Todo apoio à revolução árabe e às lutas dos trabalhadores europeus contra os planos de austeridade
- Fora as tropas brasileiras do Haiti
- Pela unidade da luta internacional dos trabalhadores
- Nenhuma confiança nos governos Dilma, Alckmin e Serafim
- Por um governo dos trabalhadores e uma sociedade socialista


Veja os demais itens da tese:

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