Muito se fala
sobre a excelência da Unicamp, no entanto, nada se fala sobre o papel que ela
cumpre com mestria: o de se colocar ao lado do grande capital e de sua ganância
por novas tecnologias e mercadorias e o de oprimir e explorar os trabalhadores
e os estudantes.
Os altos
índices de produtividade dos trabalhadores não decorrem de melhores condições
de trabalho, e sim da precarização de suas atividades. A Universidade, que
deveria produzir conhecimento para a classe trabalhadora, é, na verdade, uma fábrica
de diplomas, de artigos, de super-exploração do trabalho, de desvalorização dos
servidores, de terceirizações e de alienação estudantil.
A existência
de plágio e falsificação de resultados de pesquisa que abalaram as
universidades paulistas, de trabalhadores terceirizados que não recebem
salários, da alta rotatividade de funcionários por insatisfações com trabalho e
salário, aliadas ao estágio probatório punitivo e a uma carreira ineficiente e
antidemocrática, são a face perversa dessa precarização.
A reitoria implementa há anos um projeto
privatizante que significa a destruição de qualquer resquício de serviço
público. No HC, com autarquização, por exemplo, quem puder pagar, terá
atendimento diferenciado. Haverá uma fila maior do que já há hoje, para que os
trabalhadores pobres possam democraticamente morrer na espera do atendimento. Na área da saúde, os equipamentos e as
pesquisas lá desenvolvidas ao longo dos anos beneficiam as empresas de saúde e
os convênios médicos. A Funcamp, que foi criada nos anos 80, já terceirizou
vários setores técnicos e operacionais, a grande maioria na área da saúde.
Trabalhadores dos restaurantes, vigilância, limpeza, marcenaria e vários
motoristas são hoje terceirizados por diversas empresas.
O preço dessa
política é elevado: as vozes dissonantes são criminalizadas. A abertura de
processo judicial contra 9 servidores que lutaram na greve de 2010, a suspensão por 6
meses de estudantes que lutaram por moradia estudantil, a aplicação de 50
faltas aos trabalhadores grevistas em 2011, o descaso frente às reivindicações
dos trabalhadores e às moções das Congregações que os apoiavam nesta greve e a
punição, em 2012, de um servidor que ousou discutir a greve, evidenciam a intolerância
da Reitoria no trato às diferenças, ao dissenso e à contestação, próprios da
vida acadêmica.
Os docentes
ligados ao projeto político da Reitoria são beneficiados com tudo que o
dinheiro pode comprar, sobrando para os demais docentes, servidores e estudantes
as portas fechadas ao diálogo.
A baixa
representatividade dos trabalhadores e estudantes nas instâncias decisórias
revela um descompasso com os princípios constitucionais, cujas premissas
democráticas são as bases das relações institucionais.
O CONSU é
antidemocrático: é formado pelo reitor e seu vice, seus 5 pró-reitores por ele
indicados; 22 diretores de institutos e faculdades por ele indicados a partir
de lista tríplice; seu superintendente do HC e 5 representantes da “comunidade
externa”, incluída a Fiesp, representando os patrões. Todos deliberam sem terem
sido eleitos. São 35 conselheiros natos, o suficiente para garantir maioria
para as propostas da Reitoria.
Os
conselheiros eleitos pela comunidade universitária são apenas 22 representantes
docentes; 9 discentes; 7 funcionários.
Ao longo dos
últimos anos, o CONSU foi reduzido à condição de órgão de homologação das decisões
do Reitor. As autoridades acadêmicas substituíram o livre debate e a democracia,
pelo monólogo autoritário, bajulação e as magníficas portarias da Reitoria.
No CONSU não
existe paridade na representação das categorias e respeito aos princípios democráticas
que deveriam nortear suas atividades. O anacronismo revelou-se acentuadamente na
última greve: a Reitoria mostrou completo desprezo pelas demandas por piso
salarial e vale-alimentação isonômicos com a USP reivindicados pelos
funcionários e apoiados pelos estudantes por diversas Congregações, com a
desculpa, já desmascarada, de falta de verbas.
A Reitoria, no CONSU de meados de dezembro, sequer ouviu tais
manifestações, desligando seu microfone e retirando-se do recinto.
No boletim da
Aeplan de jan/2012, ficou obvio que existe margem de negociação salarial e que,
há pelo menos 10 anos, há uma evidente perda de poder aquisitivo dos
funcionários da Unicamp. Ao invés de investir na valorização dos trabalhadores
e na adequação dos já existentes espaços de convivência, laboratórios e salas
de aula, a reitoria gasta milhões na fortificação de seus muros, na blindagem
de suas portas, na demolição e reconstrução da praça do Básico, na criação do
CB3 e na instalação de câmeras para vigiar e punir a comunidade universitária.
Veja os demais itens da tese:
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