Levante! Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Unicamp

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Universidade

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!


Muito se fala sobre a excelência da Unicamp, no entanto, nada se fala sobre o papel que ela cumpre com mestria: o de se colocar ao lado do grande capital e de sua ganância por novas tecnologias e mercadorias e o de oprimir e explorar os trabalhadores e os estudantes.
Os altos índices de produtividade dos trabalhadores não decorrem de melhores condições de trabalho, e sim da precarização de suas atividades. A Universidade, que deveria produzir conhecimento para a classe trabalhadora, é, na verdade, uma fábrica de diplomas, de artigos, de super-exploração do trabalho, de desvalorização dos servidores, de terceirizações e de alienação estudantil.
A existência de plágio e falsificação de resultados de pesquisa que abalaram as universidades paulistas, de trabalhadores terceirizados que não recebem salários, da alta rotatividade de funcionários por insatisfações com trabalho e salário, aliadas ao estágio probatório punitivo e a uma carreira ineficiente e antidemocrática, são a face perversa dessa precarização.
A reitoria implementa há anos um projeto privatizante que significa a destruição de qualquer resquício de serviço público. No HC, com autarquização, por exemplo, quem puder pagar, terá atendimento diferenciado. Haverá uma fila maior do que já há hoje, para que os trabalhadores pobres possam democraticamente morrer na espera do atendimento.  Na área da saúde, os equipamentos e as pesquisas lá desenvolvidas ao longo dos anos beneficiam as empresas de saúde e os convênios médicos. A Funcamp, que foi criada nos anos 80, já terceirizou vários setores técnicos e operacionais, a grande maioria na área da saúde. Trabalhadores dos restaurantes, vigilância, limpeza, marcenaria e vários motoristas são hoje terceirizados por diversas empresas.
O preço dessa política é elevado: as vozes dissonantes são criminalizadas. A abertura de processo judicial contra 9 servidores que lutaram na greve de 2010, a suspensão por 6 meses de estudantes que lutaram por moradia estudantil, a aplicação de 50 faltas aos trabalhadores grevistas em 2011, o descaso frente às reivindicações dos trabalhadores e às moções das Congregações que os apoiavam nesta greve e a punição, em 2012, de um servidor que ousou discutir a greve, evidenciam a intolerância da Reitoria no trato às diferenças, ao dissenso e à contestação, próprios da vida acadêmica.
Os docentes ligados ao projeto político da Reitoria são beneficiados com tudo que o dinheiro pode comprar, sobrando para os demais docentes, servidores e estudantes as portas fechadas ao diálogo.
A baixa representatividade dos trabalhadores e estudantes nas instâncias decisórias revela um descompasso com os princípios constitucionais, cujas premissas democráticas são as bases das relações institucionais.
O CONSU é antidemocrático: é formado pelo reitor e seu vice, seus 5 pró-reitores por ele indicados; 22 diretores de institutos e faculdades por ele indicados a partir de lista tríplice; seu superintendente do HC e 5 representantes da “comunidade externa”, incluída a Fiesp, representando os patrões. Todos deliberam sem terem sido eleitos. São 35 conselheiros natos, o suficiente para garantir maioria para as propostas da Reitoria.
Os conselheiros eleitos pela comunidade universitária são apenas 22 representantes docentes; 9 discentes; 7 funcionários.
Ao longo dos últimos anos, o CONSU foi reduzido à condição de órgão de homologação das decisões do Reitor. As autoridades acadêmicas substituíram o livre debate e a democracia, pelo monólogo autoritário, bajulação e as magníficas portarias da Reitoria.
No CONSU não existe paridade na representação das categorias e respeito aos princípios democráticas que deveriam nortear suas atividades. O anacronismo revelou-se acentuadamente na última greve: a Reitoria mostrou completo desprezo pelas demandas por piso salarial e vale-alimentação isonômicos com a USP reivindicados pelos funcionários e apoiados pelos estudantes por diversas Congregações, com a desculpa, já desmascarada, de falta de verbas.  A Reitoria, no CONSU de meados de dezembro, sequer ouviu tais manifestações, desligando seu microfone e retirando-se do recinto.
No boletim da Aeplan de jan/2012, ficou obvio que existe margem de negociação salarial e que, há pelo menos 10 anos, há uma evidente perda de poder aquisitivo dos funcionários da Unicamp. Ao invés de investir na valorização dos trabalhadores e na adequação dos já existentes espaços de convivência, laboratórios e salas de aula, a reitoria gasta milhões na fortificação de seus muros, na blindagem de suas portas, na demolição e reconstrução da praça do Básico, na criação do CB3 e na instalação de câmeras para vigiar e punir a comunidade universitária.


Veja os demais itens da tese:


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