Levante! Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Unicamp

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Estrutura Sindical

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!



Em 1991, logo após a Constituição permitir que servidores públicos constituíssem sindicatos, foi fundado o STU, com o lema “Um Sindicato de luta e independente da reitoria”.
Foram 2 décadas de lutas, greves, mobilizações, vitórias e derrotas: em defesa da organização sindical, por melhores salários e benefícios, pela autonomia universitária, pela democratização da universidade, por melhorias na carreira, por cursos noturnos, no Fora Collor,  contra a recessão e o desemprego, contra as punições e demissões de trabalhadores combativos, contra as terceirizações, contra o desmonte e a precarização do trabalho, por vagas na creche, em defesa da saúde pública, contra as políticas de FHC, participou da CUT burocratizada e governista e do Fórum Social Mundial.
Mais recentemente, a Entidade, burocratizada e isolada da base, filiou-se à burocracia governista – CTB, pôs fim à proporcionalidade e esvaziou os Conselhos de Representantes.
As lutas recentes travadas pelo STU, como a greve de 2011, apontam a prioridade que devemos dar à luta contra a sua burocratização, à organização da base e sua plena participação nas elaborações políticas e nas atividades do Sindicato.
Em 2011, a categoria lutou durante quase 50 dias por isonomia de salários e de direitos, mostrando muita disposição de luta, com um grande saldo político. Em vários locais de trabalho houve mobilização e bons exemplos de organização pela base.
Porém, o STU foi derrotado economicamente e a postura da diretoria de centralizar o planejamento político e os materiais da greve foram problemas que necessitam ser revistos. Os Comandos por Locais de Trabalho e o Comando Central da Greve são políticas fundamentais para a construção democrática do movimento. Desde o início estes espaços foram desvalorizados pela diretoria do STU. Tais ações causaram problemas diários, como o desencontro das informações e a desorganização do movimento. A luta iniciou com 1500 trabalhadores em frente à Reitoria e foi suspensa após um processo de enfraquecimento, com muitas baixas de participação.
O STU precisa superar a burocratização. Somente construindo pela base o Sindicato vencerá a luta pela isonomia de salários e de direitos. Para vencer as lutas, precisamos de uma nova estrutura sindical.
Reestruturação do CR em Conselhos de Unidades construídos pela base: a realidade atual da luta de classes e da Unicamp exige estímulo a uma maior participação dos trabalhadores. Com um esforço consciente e sistemático é possível organizar uma parcela ampla de ativistas dentro da Unicamp, nos seus locais de trabalho. A reorganização do Conselho de Representantes com amplo debate na base para sua plena participação nas elaborações políticas do STU, significa transformá-lo em Conselhos de Unidade, que atuem como comandos de mobilização pela base. É possível e necessário organizar centenas de ativistas dentro da Unicamp que passem a atuar sindicalmente, de forma consciente, junto ao STU.
Democratizar a comunicação do STU: para que a base tenha participação plena sobre a Entidade, é necessário refazer o canal de comunicação do STU. Os Conselhos de Unidade deverão garantir a voz do trabalhador e os jornais e boletins deverão ser o espaço para este fim. O Conselho Editorial dos boletins e das publicações do STU não podem representar uma gestão, mas sim a base. Durante a greve, foi nítido que a comunicação centralizada na Diretoria do STU prejudicou a organização dos trabalhadores: a base não sabia previamente das atividades do dia, as discussões da greve nem sempre eram publicadas e toda a informação ficava restrita à Diretoria. Para romper a comunicação burocratizada, o STU deve ter um Conselho Editorial da base e adotar medidas de proteção aos ativistas, para que possam expressar-se sem correr o risco de serem punidos. Todos os canais de comunicação devem ser abertos para a livre manifestação dos ativistas: os boletins deverão conter espaço para que a base escreva e as mídias eletrônicas devem ser mais bem exploradas, com blogs de Unidades na página do STU, listas de e-mails e envio de SMS para os trabalhadores. É necessário que a informação seja acompanhada por formação política que garanta que os processos de transformação partam da base, frutos da conscientização e das lutas políticas e econômicas da categoria.
Avançar na organização de base - a base decide: para que a organização de base possa democratizar a vida sindical, é importante que esteja integrada ao processo de discussão e deliberação do STU. A diretoria deve levar a sério a premissa de construir “com a base”, e não “por cima da base” as lutas e atividades do Sindicato. Além de possibilitar a democratização da vida sindical, a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho potencializa a sua capacidade de luta.
Fortalecer os Comandos de Base: os momentos de mobilização dos trabalhadores são os mais propícios para avançar na organização de base. Surgem mais ativistas e é maior o interesse em participar das lutas. É preciso tomar como uma regra o esforço para que, nas campanhas salariais, se constituam comandos de base que dirijam a campanha junto com a diretoria do sindicato e o comando geral, fortalecendo os comandos de greve com a participação plena da base.
Defesa da proporcionalidade: a proporcionalidade deve servir para fortalecer o STU como organizador das lutas unificadas de toda a classe, não como loteamento de espaço entre correntes políticas. Para isso é necessário que esta proporcionalidade se aplique na própria eleição da diretoria sem cláusulas de barreira e seja direta e qualificada.
Limites de reeleição: para combater a burocratização e o afastamento dos diretores da vida cotidiana da categoria e das organizações de base, devemos aplicar limites de reeleições.
Mandatos de diretores revogáveis pela base: para garantir a participação política da base e a implementação das suas decisões em Assembleia, os mandatos da diretoria devem ser revogáveis por decisão da base.
Independência de classe, a governos e Reitoria – autonomia em relação aos partidos políticos.
Fim do imposto sindical: o imposto sindical quebra a autonomia do movimento sindical, atrelando-o ao Estado, já que a estrutura sindical passa a ser financiada pelo imposto e não pelas contribuições espontâneas dos trabalhadores. O STU deve ser financiado exclusivamente por meio das contribuições da base, sempre a partir de decisão soberana dos trabalhadores e o dinheiro do imposto deve ser devolvido para a categoria.
Desfiliação da CTB. A filiação à CTB foi definida em Congresso sem prévio processo de discussão com a base, sem ser proposta no caderno de teses e antes da constituição formal da Central. A definição de filiação a uma Central Sindical deve se dar após amplo debate com a base. O STU deve ter participação orgânica no processo de reorganização dos setores combativos do movimento sindical e na construção de uma central que unifique estes setores.
Todos esses aspectos são importantes porque fortalecem a luta, incentivam o controle da organização sindical pela base e enriquecem o debate político. Desta forma, os trabalhadores aprendem lições valiosas para os enfrentamentos de classe que terão pela frente.


Veja os demais itens da tese:


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