Levante! Coletivo Sindical dos Trabalhadores da Unicamp

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conjuntura nacional e internacional

O futuro é tão grande... Vamos de mãos dadas!


A crise econômica mundial iniciou em 2008 e já é maior que a de 1929, abalando todos os mercados e os governos imperialistas dos EUA e da Europa.
A crise começou nos EUA, com a explosão da “bolha de crescimento artificial”: a especulação financeira era maior do que a produção industrial. Enquanto a produção mundial, em 2006, somava US$ 47 trilhões, a especulação movimentava US$ 170 trilhões, quase 4 vezes mais. A crise gerou desemprego em massa, fome, e a perda de milhares de casas para garantir os lucros dos banqueiros.
Para conter a crise, o governo Obama atacou os trabalhadores: cortou investimentos públicos e doou quantias exorbitantes de dinheiro para os banqueiros. Essa política mostrou que o “primeiro presidente negro” dos EUA não está ao lado dos trabalhadores, mas sim do imperialismo e do grande capital.
Os reflexos da crise se espalharam pelo mundo. Na Europa, a zona do Euro é a mais afetada. Inicia-se uma recessão econômica com possibilidade de quebra de bancos e Estados. Em países como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, a entrada de Euros está diminuindo, o que aumenta as dívidas públicas, e gera altas taxas de juros.
Para preservar o Euro, as burguesias alemã e francesa exigem a submissão desses países às políticas do FMI: corte de verbas para a saúde, moradia, educação e transporte, diminuição salarial, corte de direitos trabalhistas, aumento do tempo de contribuição para a aposentadoria, demissões e terceirizações.
Para defender os lucros dos banqueiros, os governos descarregam a crise nos trabalhadores e na juventude, que reagem lutando em greves gerais e manifestações na Grécia, Portugal e Inglaterra, marcha dos indignados na Espanha e derrotas eleitorais de partidos governistas, como na Alemanha.
O povo também luta no mundo árabe, abrindo uma crise na dominação imperialista americana e européia nessa região, que é estratégica pelas reservas de petróleo. A revolta das massas árabes contra anos de exploração, miséria e desemprego, agravados pela crise econômica mundial, derrubou ditaduras pró-imperialistas, como Mubarak no Egito, e Kadafi na Líbia.
A fim de manter seu domínio na região e deter a ação das massas, o imperialismo americano e europeu apoia governos militares e civis de “transição” no Egito, na Líbia e no Iêmen.
Na América latina, a crise econômica e a dominação imperialista também produzem seus efeitos. No Haiti, sob a falsa bandeira de “pacificar” o país, a ONU e os governos que enviaram tropas militares de ocupação – entre eles o Brasil – apoiam uma vergonhosa agressão imperialista contra o povo negro.
No país, após o terremoto de 2009, os haitianos vivem acampados nas ruas, sem luz, alimento e água potável. Ao mesmo tempo, dirigentes sindicais são demitidos, ativistas são presos, ocorrem estupros e assassinatos, sempre com a participação direta ou conivente das tropas de ocupação, que reprimem os movimentos sociais que lutam contra o desemprego, a fome e a miséria. Essa política colonialista, racista e de dominação econômica e militar sobre o povo haitiano se dá com a cumplicidade do governo Dilma e do governo Obama.
Na Venezuela, Hugo Chávez estabelece com o governo colombiano um pacto comercial cuja moeda de troca é a colaboração militar e a perseguição, a tortura e morte de ativistas dos movimentos sociais de ambos os países. Na Venezuela, ocorrem perseguições a dirigentes camponeses, sindicais e populares, em um processo de ataques contra aqueles que hoje se organizam e protestam no país por empregos, melhores salários, moradia, educação, saúde etc.
No Brasil, a economia ainda não sente com tanta intensidade os efeitos da crise e encerrou 2011 com crescimento de 3,5%, contrariando todas as previsões do governo e demonstrando que já existe uma desaceleração econômica. O Brasil não está imune à crise.
Diante disso, o governo e a patronal preparam profundos ataques aos trabalhadores: corte de R$ 55 bilhões no orçamento federal, o maior de toda a história, com grave redução na educação (R$ 3,1 bilhões) e destinação de 49,15% de todo o orçamento para o pagamento de juros e amortizações aos banqueiros.
A continuidade do modelo da economia brasileira como uma plataforma de produção e exportação de commodities agrícolas para o mundo, e automóveis e eletrodomésticos para a América Latina, aprofunda a vulnerabilidade da economia brasileira aos sobressaltos da crise internacional.
O governo do PT retomou as privatizações, com a entrega dos aeroportos à iniciativa privada e também os Correios e Hospitais Públicos, dentre eles, os Universitários. Tramitam ainda no Congresso Nacional projetos de lei que atacam direitos dos servidores públicos e congelam seus salários. No campo, o novo Código Florestal é um enorme retrocesso na luta ambiental e fortalece o agronegócio.
A falta de políticas para a moradia também são marcas dos governos. A tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro deixou à mostra o desastre político, econômico e social a que estão submetidos os trabalhadores frente ao governo Dilma e ao governo Cabral (RJ). Após um ano, nenhuma casa foi construída na região.
Enquanto isso, para favorecer a especulação imobiliária, o governo Alckmin e a justiça, numa violenta ação policial, desalojaram os moradores do bairro Pinheirinho de São José dos Campos/SP, construído desde 2004, onde viviam 8 mil pessoas, para deixá-las ao relento, o que mereceu um amplo repúdio da sociedade brasileira e da comunidade internacional. 
A desocupação do Pinheirinho não é um caso isolado. A realização de megaeventos, como a Copa e as Olimpíadas, está significando mais ataques aos trabalhadores. Os governos federal, estaduais e municipais estão implementando um plano de contra-reforma urbana.  Os governos e empresários, para favorecer a especulação imobiliária, desencadearam uma campanha de higienização sócio-racial (Favela do Moinho, cracolândia etc.) criminalizando a pobreza.
Assim, a ineficácia do Programa “Minha casa, Minha vida” está demonstrada: existe no país um déficit habitacional de 11 milhões de casas e a necessidade de uma reforma urbana que possa dar casas para os necessitados e melhorar a situação caótica nos bairros populares.
No Brasil, a face repressora do Estado se manifesta na perseguição e criminalização dos movimentos sociais, como ocorrido na prisão arbitrária de manifestantes do ato contra a visita de Obama ao Rio de Janeiro em 2011, na repressão e perseguição na USP, e, mais recentemente, na prisão de líderes e ativista das greves dos PMs e bombeiros dos estados da Bahia e Rio de Janeiro.
Em São Paulo, os governos do PSDB marcaram ao funcionalismo um período de perdas constantes de poder aquisitivo e uma desvalorização da profissão. Como a política do Estado está no bico tucano a pelo menos 16 anos, seus reflexos se traduzem em salários aviltantes, repressão policial aos grevistas, confronto com o movimento estudantil e criminalização dos movimentos sociais.
Em Campinas, o povo trabalhador é vítima dos escândalos de corrupção que o prefeito Hélio (PDT) e seu vice Demétrio Vilagra (PT) cometeram contra a cidade, sucateando os serviços de saúde, as creches e ainda atrasando o 13º salário dos municipais. Os corruptos que roubaram mais de R$ 600 bilhões seguem impunes. A Câmara Municipal, desmoralizada, votou um aumento de 126% para os vereadores, desprezando a opinião da população e legislando em causa própria.
Como se não bastassem todos estes ataques aos trabalhadores de Campinas, vem ainda o GOLPE final: eleições indiretas para Prefeito. É a reedição dos tempos da ditadura, onde 33 picaretas, que só pensam em como aumentar seus salários, vão querer eleger, no lugar do povo, o próximo prefeito, e, para isso, ainda contam com o aval da justiça.

Veja os demais itens da tese:

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